Publicitário pernambucano é condenado junto com ex-presidente da Petrobras por corrupção e lavagem de dinheiro. André Gustavo negociava e recebia vantagens indevidas, aponta sentença



Em meio à pandemia e a tantos escândalos ligados às compras para combater o coronavírus, passou praticamente desapercebida a condenação do publicitário André Gustavo, ligado a vários políticos pernambucanos, tanto da direita quanto da esquerda.

André Gustavo foi condenado, juntamente com  o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine,pelo juiz federal Bonat, sucessor de Moro na Lava Jato, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A pena prevista para o publicitário é de cinco anos, nove meses e 20 dias de prisão, mais 40 dias-multa, no valor de cinco salários mínimos cada.

"No caso, André Gustavo Vieira da Silva foi peça-chave na solicitação e recebimento da vantagem indevida por Aldemir Bendine. Como visto, o réu foi verdadeiro artífice da empreitada criminosa, tendo dela participado não só como interlocutor de Aldemir Bendine, mas também como negociador perante os executivos do Grupo Odebrecht e receptor da vantagem devida", afirma o juiz.

Segundo a decisão, o publicitário deve cumprir a pena inicialmente em regime semiaberto. Ele ficou preso entre 24 de julho de 2017 e 8 de março de 2018.

Também foi condenado o engenheiro Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, então executivo da Odebrecht, que pegou 4 anos e dois meses de prisão por corrupção ativa. Por ter fechado acordo de colaboração premiada, ele teve a pena substituída.

Já Bendine, foi condenado a seis anos e oito meses de prisão pelo crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Ele já havia sido condenado a 11 anos de prisão, mas teve a sentença anulada pelo STF.

As investigações do MPF sobre André Gustavo, porém, juntament com as delações premiadas do Grupo JBS, apontam que além de “operador” de Bendine, o empresário distribuía dinheiro das empresas dos irmãos Batista a poíticos.

Segundo o diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud, André Gustavo teria entregado 7 milhões de reais a senadores do PMDB. O então presidente do Senado, Eunicio Oliveira (PMDB-CE), teria recebido 318.000 reais em dinheiro vivo pelas mãos do publicitário, enquanto seu antecessor na chefia da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), teria sido o destinatário de 3,8 milhões de reais em espécie, repassados por André Gustavo a Durval Rodrigues, suposto emissário de Renan.

O publicitário também teria entregue 980.602 reais a Jader Barbalho, 1 milhão de reais a Eduardo Braga (PMDB-AM) e 1 milhão de reais ao ex-senador e ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo, sempre em dinheiro vivo.

Os pagamentos aos peemedebistas, conforme Saud, foram feitos a pedido do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, interlocutor do PT junto à JBS, para “assegurar a unidade do PMDB, que apresentava, ao tempo, risco real de fratura, com a perspectiva de parte do partido passar a apoiar formalmente Aécio Neves”.

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