Alvo da Operação "Casa de Papel", da PF e que investiga contratos com Recife, Olinda, Cabo e Paulista, apagou conversas feitas pelo WhatsAPP. Aparelho será periciado pelo Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília


Ao se manifestar sobre o pedido formulado por Luciano Cyreno Ferraz, para devolução do seu aparalho celular, a Polícia Federal informou ao Juiz da 13ª Vara que o investigado teria apagado "deliberadamente" as conversas contidas em seu celular.

Cyreno é um dos alvos da Operação "Casa de Papel", que investiga suspeitas de desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro em compras realizadas pelas Prefeituras do Recife, Olinda, Cabo de Santo Agostinho e Paulista, para o combate à pandemia.

Segundo a PF, "Com relação ao celular iPhone 11, apreendido em poder de LUCIANO CYRENO FERRAZ, esclareço que os dados contidos no mesmo já foram espelhados, contudo, foi possível constatar que ele teve o seu conteúdo APAGADO na data da deflagração da operação (16/06/2020), provavelmente em razão de não ter sido encontrado na manhã daquele dia, mas tão somente à tarde (quando de sua chegada no aeroporto do Recife), ocasião em que já estava ciente do cumprimento do mandado de busca e apreensão em seu desfavor".

Ainda segundo a PF, a maior parte das conversas mais antigas encontradas no aplicativo WhatsApp estava datada daquele mesmo dia 16/06/2020, inclusive o chat mais remoto com sua esposa ocorreu naquele dia às 09:27hs, conforme se verifica abaixo, não sendo crível que ele (não) tenha mantido contato anterior com ela".

"Outra prova de que LUCIANO CYRENO FERRAZ apagou deliberadamente os dados de seu telefone celular diz respeito à conversa mantida entre ele e SEBASTIÃO FIGUEIROA DE SIQUEIRA a qual, embora flagrada no celular deste último, não fora localizada no smartphone daquele", destaca a Polícia Federal ao juiz.

E prossegue, a autoridade policial: "Aliás, cumpre informar que sequer os dados de SEBASTIÃO FIGUEIROA e de DAVIDSON MENDONÇA FIGUEIROA constavam dentre os contatos salvos no celular de LUCIANO FERRAZ, muito embora,consoante afirmado pelo próprio peticionante, eles mantivessem negócios lícitos. Ora, se não há qualquer irregularidade nas relações mantidas com ambos, como pretendente fazer crer o peticionante, qual o motivo por qual ele preferiu esconder esse vínculo da polícia?", questiona a autoridade policial.

Ainda segundo a PF, destaca-se, "em alguns trechos de conversa que o relacionamento de LUCIANO FERRAZ com SEBASTIÃO FIGUEIROA extrapola o mero negócio societário que ele pretende fazer crer, mas indicam que ele atuaria como verdadeiro intermediário dos interesses de FIGUEIROA junto a agentes políticos, repassando orçamentos, cobrando depósitos, senão vejamos:







Esses indicativos, de acordo com a Polícia Federal, "já evidenciam a relevância do celular de LUCIANO CYRENO FERRAZ à presente investigação, a indicar a necessidade de seu aprofundamento e da tentativa de recuperação dos dados nele contidos que, reitere-se foram DELIBERADAMENTE APAGADOS. Nesse contexto, informamos a esse MM. Juízo que se faz necessária a remessa do mesmo para o Instituto Nacional de Criminalística em Brasília para tentar recuperar os dados apagados, o que desde já iremos providenciar."


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