Durante julgamentos de interesse da gestão Geraldo Julio, um dos quais envolvendo a Casa de Farinha, Conselheiros do TCE/PE perdem a calma, gritam e interrompem Procuradora que combate a corrupção no Governo de Pernambuco e na Prefeitura do Recife

Depois de perder a calma em sessão, chegando a gritar com a procuradora Germana Laureano, presidente do TCE/PE apela para que o Tribunal se harmonize e, segundo suas próprias palavras, "não liguem o modo f..." (confiram às 2hs50min30seg da sessão)

Visivelmente transtornados, como se pode conferir nos vídeos abaixo, os Conselheiros Valdecir Paschoal e Dirceu Rodolfo, durante sessão virtual em que foram pautados processos de interesse da gestão Geraldo Julio, alvo de três Operações da Polícia Federal, por suspeita de desvios na pandemia, levantaram a voz e interromperam a Procuradora Geral do Ministério Público de Contas, Germana Laureano. Um dos processos envolvia a empresa Casa de Farinha, alvo da Operação Castelo de Farinha, comandada pela delegada Patrícia Domingos, quando ainda era titular da extinta Decasp. Como é público e notório, a Casa de Farinha pertence à família de um aliado de Geraldo Julio, conhecido na Polícia Federal como "homem forte do PSB", expressão que foi utilizada para definir Romero Pontual, quando de seu indiciamento na Operação Farda Nova.

Germana Laureano é autora de várias representações ao Ministério Público Federal, contra irregularidades da gestão Geraldo Julio e Paulo Câmara e que ensejaram instaurações de inquéritos e até ajuizamentos de ações contra os desmandos denunciados.

A Procuradora denunciou, ao vivo, durante a polêmica sessão de hoje, ser vítima, durante as sessões, da prática sistemática de "manterrupting", que é um termo utilizado para explicar situações em que um ou mais homens ficam interrompendo a fala de mulheres, impedindo que elas concluam o que estava sendo dito. Nos vídeos, inclusive, é possível observar momentos em que essas interrupções ocorrem. Em um deles, o presidente Dirceu Rodolfo chega a gritar com a Procuradora. Em outro, Valdecir Paschoal pede ao presidente que acione a corregedoria contra a procuradora, mesmo sendo fato notório que membros do Ministério Público não estão sujeitos ao crivo da Corregedoria dos Tribunais, mas, apenas, do CNMP. Como não é possível que um conselheiro não saiba disso, é fácil concluir que Valdecir Paschoal apenas tentou constranger a Procuradora.

Segundo Germana, em pelo menos três sessões seguidas do Pleno, gravadas e disponíveis no YouTube, Pascoal a teria interrompido.

Além do descontrole visível, chamou a atenção de quem assistiu a sessão, que pode ser conferida na íntegra, abaixo, o fato de ter o Conselheiro Valdecir Paschoal reclamado de a Corregedoria do Tribunal nunca ter dado uma "reprimenda" na Procuradora, repita-se, apesar de saber que a Corregedoria da Corte não tem tal poder. É bastante improvável que se observasse o comportamento dos dois Conselheiros se em vez de uma mulher à frente do Ministério Público de Contas, houvesse um homem. Aliás, o machismo é a tônica das instituições em Pernambuco. No TCE, por exemplo, só há uma mulher Conselheira titular, no caso, a Conselheira Teresa Duere, que ao pedir vistas de um dos processos, destacou a falta de condições dos Conselheiros para julgar os processos naquele momento, além de destacar a "prepotência com que a Prefeitura do Recife trata o TCE", no qual, inclusive, o Prefeito Geraldo Julio, que é servidor do Tribunal, conseguiu emplacar um de seus braços direito, o ex-chefe de Gabinete de Projetos Especiais, Ademar Silva dos Santos, na assessoria do Presidente da Corte. O atual assessor especial de Dirceu Rodolfo, foi chefe de gabinete de João Guilherme Ferraz, atual secretário de governo de Geraldo Julio.








O acirramento dos ânimos começa quando a sessão já estava com 2 horas e 35 minutos

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