Fundadores do MBL, presos por "lavagem" e sonegação de R$ 400 milhões, ameaçavam e espalhavam "fake news" contra quem questionava finanças do Movimento, aponta MPSP


Segundo Fausto Macedo, do Estadão, o MPSP aponta que a operação Juno Moneta, para investigar suposta sonegação fiscal de mais de R$ 400 milhões e lavagem de dinheiro, bem como suposta ‘confusão empresarial’ entre o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Movimento Renovação Liberal, apontou que as duas pessoas presas na operação e que têm estreitas ligações com o movimento de direita, MBL, Alessander Monaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso, vulgo Luciano, juntamente com outros envolvidos, construíram efetiva blindagem patrimonial composta por um número significativo de pessoas jurídicas, tornando o fluxo de recursos extremamente difícil de ser rastreado, inclusive utilizando-se de criptoativos e interpostas pessoas”.

Além de apurarem suposta ‘confusão empresarial’ entre o MBL e o MRL, os investigadores também se debruçam sobre ‘recebimento suspeito de doações online’. Segundo o Gedec, foi identificado o recebimento de doações através da plataforma Google Pagamentos – ‘que desconta 30% do valor, ao invés de doações diretas na conta do MBL/MRL’.

Os promotores também informaram que investigam suposta constituição e utilização de empresas ‘em incontáveis outras irregularidades, especialmente fiscais’. “A família Ferreira dos Santos, criadora do MBL, adquiriu/criou duas dezenas de empresas – que hoje se encontram – todas – inoperantes e, somente em relação ao Fisco Federal, devem tributos, já inscritos em dívida ativa da União, cujos montantes atingem cerca de R$ 400 milhões”.

Com a relação a Alessander Monaco Ferreira, um dos presos na operação realizada nesta manhã, a Promotoria aponta ‘movimentação financeira extraordinária e incompatível’ e suposta ‘criação/sociedade em duas empresas de fachada’. Segundo o Gedec, ele seria ‘ligado aos movimentos’, realizando ‘doações altamente suspeitas através da plataforma Google’.

O MP-SP também indicou que Ferreira viajou mais de 50 vezes para Brasília, entre julho de 2016 e julho de 2018, ‘ para o Ministério da Educação, com objetivos não especificados’, e ‘solicitou emprego e foi contratado pelo Governo do Estado de São Paulo para trabalhar na Comissão de Avaliação de Documentos e Acesso da Imprensa (CADA) – “justamente um cargo que tem função de gerenciar tarefas de eliminação de documentos públicos, de informações relativas ao recolhimento de documentos de guarda permanente, produzidos pela Administração Pública”.

Já sobre Carlos Augusto de Moraes Afonso, a Promotoria aponta ‘ameaça a pessoas que questionam as finanças do MBL’, ‘disseminação de fake news’, ‘criação e sociedade de ao menos quatro empresas de fachada’ e ‘uso de contas de passagem, indícios de movimentação financeira incompatível perante do fisco federal’.

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