Gigante de limpeza urbana do país negocia delatar corruptos e até escritórios de advocacia


Segundo a Coluna Radar, da Veja, avança em sigilo no MPF um gigantesco acordo — leniência mais delação de executivos — da Estre Ambiental, uma das maiores companhias de limpeza urbana do país, que detonará políticos de múltiplos partidos e esferas, além de empresários e até bancas de advocacia.

Dois ex-executivos do Grupo Estre foram presos pela Polícia Federal na 59ª fase da Operação Lava Jato, denominada Operação Quinto Ano.  Além de Wilson Quintela Filho, ex-presidente de empresas do grupo, o advogado e ex-diretor do Estre Mauro de Morais também foi preso na mesma Operação.

A Estre e seus diretores foram delatados pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que teria recebido propina paga pelo Grupo Estre por contratos com a Transpetro para tratamento de resíduos, manutenção de dutos e construção de um estaleiro para produzir embarcações para transporte de etanol no Rio Tietê. A propina era de 3% do valor dos contratos, conforme o MPF, em coletiva na época da Operação.

No esquema, segundo o MPF, o grupo Estre assinava contratos fictícios com o escritório de advocacia de Morais. Na prática, o escritório fazia a distribuição do dinheiro dividindo a propina em inúmeros depósitos fracionados e cheques de baixo valor, com o objetivo de burlar a fiscalização do Banco Central. A maior parte da propina chegava a Machado que, por sua vez, fazia a redistribuição para políticos do MDB, partido político que garantia sua sustentação política. PF e MPF preferiram não citaranomes de políticos ligados ao partido. 
O delegado da Polícia Federal, Christian Robert Wurster, coordenador da Operação Quinto Ano, estima que até 3% do valor de 36 contratos formalizados com a estatal entre 2008/2014 tenham sido objeto de propina, em um total de 682 milhões de reais.

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