A DESEDUCAÇÃO DO RETORNO PRESENCIAL ÀS ESCOLAS DE PERNAMBUCO: QUEM PERDE E QUEM GANHA?  ARTIGO DE LUCIANO FREITAS FILHO



Por  LUCIANO FREITAS FILHO*

Inicio esse texto posicionando-me de forma contrária a quaisquer possibilidades de retorno às aulas em Pernambuco, de forma presencial. Até que tenhamos uma vacina efetiva, sendo aplicada em massa, não vislumbramos quaisquer cenários possíveis para a autorização irresponsável de liberação de semestre letivo ocorrendo no interior das escolas pernambucanas. A quem interessa esse retorno em meio à pandemia da COVID19? Aos empresários da educação e aos pais e mães que estão esgotados por assumirem a responsabilidade sobre os filhos, diariamente (não sou adepto a ‘rodeios’). Sejamos honestos frente a esse debate, pois, dessa forma, podemos problematizar a viabilidade dessa abertura sem a omissão de uma ‘diplomacia política’. Buscar um consenso racional é preciso, contudo sem tolerar irresponsabilidades políticas com a saúde pública. Nesse jogo político protagonizado por governantes e empresários da educação, a voz “cancelada” e/ou omitida de professores e dos técnicos administrativos (sejam eles terceirizados ou concursados) deve ser considerada. Entendemos os riscos econômicos caso as escolas permaneçam fechadas por mais alguns meses. Por outro lado, a realidade de pandemia se impõe de forma emergencial e contingente, nada planejada, o que implica em bom senso e responsabilidade pública com a saúde das pessoas. As escolas não falirem ou fecharem importa e muito! Precisamos buscar um meio termo para que isso não ocorra, sem apelar para uma abertura desesperada das escolas neste momento. Se, em uma matemática aligeirada e bem otimista, cogitarmos a morte de 01 (uma) criança ou jovem estudante em cada escola pública e privada do Estado de Pernambuco, vítima da COVID19, teremos, por baixo, aproximadamente 1300 mortes de alunos apenas na rede pública de ensino. 1300 vidas que importam e farão falta. Esse não é um discurso apelativo, mas uma chamada de atenção para os riscos possíveis.

Além disso, nem trago para o debate um cálculo aproximado de possíveis óbitos de docentes e funcionários (Sim, a vida da “tia” da cantina ou da limpeza também importa”!). Reconheçamos os esforços da Secretaria Estadual de Educação para viabilizar os meios melhores para tentar sanar quaisquer prejuízos para todos os envolvidos. Desde o início da pandemia, milhares de profissionais e gestores da SEE/PE estão em movimento incansável na busca de caminhos qualificados para manter um processo de ensino-aprendizagem nas melhores condições que os tempos de isolamento social nos permitem. Contudo, essa mesma secretaria não pode ser isentada de questionamentos acerca de sua responsabilidade na liderança desse processo, colocando um ‘freio’ ou limites para os arroubos ou gana dos empresários da educação em Pernambuco. Enquanto profissionais e gestores, bem como pesquisadores da Educação, bem sabemos que o ensino híbrido e o presencial, por meio de aulas escalonadas ou revezadas não funcionam de forma satisfatória e nem dão conta da carga-horária e conteúdos previstos e preconizados na LDB/96 e na BNCC (serão paliativos, uma ‘meia- sola’, como ouvimos nos dizeres populares). Quais as reais propostas do governo do estado para viabilizar esses cenários de retomada presencial ou híbrida? Professores grupos de risco serão liberados das aulas presenciais, mas irão ter salários reduzidos? Como ficarão as avaliações ou registros acadêmicos dos estudantes que não comparecem às escolas, serão reprovados? Como se dará o processo de adequação das escolas para salas de aulas equipadas com álcool em gel, e uma agua potável disponível o tempo todo nas torneiras das escolas públicas? Quem controlará o uso de máscaras em crianças e jovens no momento do recreio ou fora de sala de aula?  

Quem viabilizará suporte tecnológico aos professores para organizarem vídeos e materiais didáticos para aulas remotas (esses horários de formulação de materiais e vídeos, suas edições, contam para a carga-horária?) Com a palavra, a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco. Senhor Frederico Amâncio. *Luciano Freitas Filho é doutorando em Educação pela UFRJ. Professor do Instituto Federal da Bahia/IFBA, Ex-servidor concursado da Secretaria de Educação de Pernambuco (por 12 anos) e membro da Comissão Dom Helder Câmara de Direitos Humanos da UFPE.

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