Após 14 anos, Polícia conclui que PMs planejaram a morte de irmão de Freixo por terem sido demitidos da segurança de condomínio onde ele era síndico

13 de ago. de 2020

/ by Blog da Noelia Brito
Renato Freixo foi morto quando chegava em casa, num condomínio em Piratininga, em 2006: polícia afirma que assassinato foi encomendado por PMs insatisfeitos com demissão do posto de segurança do local Foto: Hipólito Pereira / Agência O GLOBO

De O Globo

RIO — Pouco mais de 14 anos depois, a Polícia Civil do Rio concluiu, nesta quinta-feira, o inquérito sobre a morte de Renato Ribeiro Freixo, irmão do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), que foi assassinado em junho de 2006, aos 34 anos, quando chegava em casa, em Piratininga, na Região Oceânica da Niterói. A investigação da 10ª Delegacia de Acervo Cartorário (DEAC), já encaminhada ao Ministério Público do Rio, aponta um ex-policial militar como executor do homicídio e da tentativa de homicídio contra a mulher de Renato, e dois PMs como mandantes do crime.

O GLOBO publicou esta semana que o inquérito estava próximo do fim . Os investigadores afirmam que os dois policiais militares, que trabalhavam no condomínio onde o irmão de Freixo havia acabado de se eleger síndico, resolveram matá-lo após terem sido demitidos por ele do posto de segurança do local. À época, Renato Freixo teria justificado as demissões pelo fato de a dupla não ser legalizada para exercer a função.

Durante as investigações, a Polícia Civil ouviu dezenas de testemunhas, realizou mandados de busca e apreensão, além de quebras de sigilo que ajudaram a chegar aos autores do assassinato. Também foram identificados, de acordo com os inspetores, que os álibis deles eram frágeis e que os mandantes tinham motivação.
O crime

Renato, que à época era assessor na Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia da Prefeitura de Niterói, foi alvejado quando descia de seu carro para abrir o portão da garagem de casa. Ele voltava de uma festa com sua mulher, Valéria Motta Ramos, que foi baleada no ombro e no peito, mas sobreviveu. Então pesquisador da ONG Justiça Global, Marcelo Freixo nunca fez alarde do caso do irmão na imprensa, respeitando um pedido da sua família. Limitava-se a cobrar o andamento do inquérito em visitas à delegacia.

— Vou ficar calado. Quero apenas ouvir a resposta da polícia. Só posso falar que meu irmão era um homem pacato, honesto e digno — disse Marcelo, logo após o crime.

Dois anos depois do crime, após eleito deputado estadual, Marcelo Freixo assumiu a presidência da CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). De acordo com a sua página na Internet, o trabalho “foi um marco na luta contra o crime organizado e sua articulação com o poder público”. O relatório final da CPI pediu o indiciame

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