Delator de ministro do TCU também delatou Aldo Guedes, segundo ele, "operador" de Eduardo Campos e do PSB de Pernambuco

Eduardo Campos, já falecido e Aldo Guedes

O empresário João Carlos Lyra não delatou apenas o pagamento de propina de empreiteiras ao ministro do TCU e ex-senador paraibano Vital do Rêgo, alvo da 73ª Fase da Operação Lava Jato. Também foi alvo de um dos Anexos da delação de João Lyra, o empresário Aldo Guedes Álvaro, a quem João Lyra, no Termo de Colaboração nº 3, anexo ao Inquérito nº 4261, da Relatoria do Ministro Edson Fachin,  apontou "como operador de Eduardo Campos e do PSB de Pernambuco".


Foi no Termo de Colaboração nº 3 que João Carlos Lyra revelou que "adotou basicamente quatro formas de repasses de propinas" para Aldo Guedes.
 
A primeira seria "por meio de recursos recebidos em Recife/PE, diretamente de empreiteiras, servindo o colaborador como mero entregador de recursos ('mula') a ALDO GUEDES". A segunda seria "por meio da geração de recursos para caixa dois de empreiteiras e sua posterior entrega a ALDO GUEDES ou a algum político indicado por este (utilização de empresas do colaborador para prestação de serviços efetivos acrescidos de excedente fictício - geração de volume de serviço acima do efetivamente prestado - ou através de compra de notas de empresa de terceiro; por meio de criação de empresa estrangeira e a contratação fictícia de serviços no exterior que deveriam ser prestados à empreiteira OAS, com o correspondente pagamento de valores e a geração de caixa dois no Brasil para tal empreiteira, bem como com o repasse de propina a ALDO GUEDES, no exterior, em conta bancária por este indicada; por meio da remessa, até  Recife, de valores disponibilizados ou entregues a ALDO GUEDES por empreiteiras em São Paulo, utilizando-se o colaborador do escritório Morales & De Paula (espécie de 'cabo' interno); a entrega de valores em espécie no escritório Morales & De Paula e a transferência bancária dos valores por uma das empresas vinculadas àquele escritório a uma das contas correntes indicadas pelo colaborador mantidas em Recife/PE, seguidas do saque dos valores e repasse a ALDO GUEDES; Que cada uma dessas formas de repasse de propinas será tratada, especificamente, com detalhes, em termos de colaboração próprios".
 
Aldo Guedes, por meio de seus advogados, acusa os delatores de mentirem e de serem réus confessos e ironiza os investigadores que instauraram "inúmeros inquéritos" que, segundo seus advogados, tramitam, há anos, "inconclusos",  com base nessa delação que, segundo a BuzzFeed, atingiria cerca de 80 políticos. (Confiram a nota da defesa de Guedes em  Em nota, defesa de Aldo Guedes desmente delação e acusações de propina )
 
Este conteúdo foi produzido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Para compartilhar, use o link https://blogs.ne10.uol.com.br/jamildo/2019/12/06/em-nota-defesa-de-aldo-guedes-desmente-delacao-e-acusacoes-de-propina/
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Mas Guedes não foi delatado apenas por João Lyra. Depoimento prestado pelo ex-presidente do Conselho de Administração da Construtora Camargo Correa, Antônio Miguel Marques, à Polícia Federal de São Paulo, no âmbito do Inquérito nº 4005, que tramita no Supremo Tribunal Federal, no âmbito da Operação Lava Jato e que investiga, além do próprio Aldo Guedes, o envolvimento do senador Fernando Bezerra Coelho e de João Carlos Lyra, na cobrança de propina a empreiteiras para a campanha eleitoral do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ao governo do Estado, em 2010, também aponta o ex-presidente da Copergas e ex-sócio de Eduardo Campos, Aldo Guedes era o encarregado de fazer as cobranças das "doações não oficiais" correspondentes a percentual pelo valor dos contratos e que Aldo Guedes, diferentemente de Eduardo, apresentava "um discurso 'rude' em sua maneira de falar."


Antônio Miguel Marques revela, ainda, que outro executivo da Camargo Correa, Dalton Avancini, noticiou ter se reunido com Aldo Guedes, num encontrou que reportou como "apreensivo e desagradável", em que foi por este cobrado para que a Camargo Correa pagasse, sob "ameaça de retaliação" uma doação não oficial. Soube, ainda, que a empresa não conseguira se desvencilhar das cobranças de Aldo Guedes e que cedera a suas investidas, sem saber, entretanto, precisar os valores pagos. (Confira mais essa delação contra Guedes em ALDO GUEDES ERA RUDE E AMEAÇAVA COM RETALIAÇÕES DURANTE COBRANÇA DE "DOAÇÕES" NÃO OFICIAIS, REVELA DELATOR DA CAMARGO CORREA EM DEPOIMENTO À POLICIA FEDERAL PAULISTA )

Leiam o Termo de Colaboração nº 3, de João Carlos Lyra: