Operação Além Mar: "Piloto do tráfico" pernambucano teve despesas pagas por "braço direito" de Fernandinho Beira-Mar e "enricou da noite pro dia", revela decisão que decretou sua prisão

Foto: Polícia Federal
 

Dentre os pilotos que seriam responsáveis pelo transporte aéreo de cocaína vinda do Paraguai para o Brasil para ser exportada para a Europa via portos nordestinos, destaca-se o pernambucano André Luiz Gomes Ferreira, que teve sua prisão temporária decretada pela Juíza Federal da 4º Vara Federal, Amanda Torres, no âmbito da Operação "Além Mar", deflagrada no último dia 18 de agosto, e que tem a delegada da Polícia Federal Adriana Vasconcelos à frente das investigações.

Leiam o que conta, sobre o piloto pernambucano, a decisão que autorizou a deflagração da Operação Além Mar, considerada uma das maiores da história da Polícia Federal no combate ao tráfico internacional de drogas:

"ANDRÉ LUIZ GOMES FERREIRA (CPF 028.881.784-27): Consigna a autoridade policial em sua representação que o citado investigado, que é natural desta cidade de Recife/PE, teria especial relação com a ORCRIM 2, sobretudo com os co investigados VICTOR PESSOA e ROMILTON QUEIROZ, sobre os quais já se tratou anteriormente, contudo afirma-se que as circunstâncias do relacionamento entre eles existentes não estaria ainda, de todo, esclarecidas, nada obstante as investigações teriam demonstrado, mormente a partir do afastamento de sigilo telefônico (interceptação telefônica), por diversas vezes autorizado por este Juízo, a existência de robustos indicativos de que ANDRÉ GOMES FERREIRA estaria envolvido com os crimes de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, como se logrará, doravante, detalhar. 

 

Como já referido quando se abordou sobre o investigado VICTOR ANDRÉ DE PESSOA, consignou-se que, dele, ANDRÉ LUIZ – que é piloto de helicóptero (privado e comercial) – adquirira duas aeronaves, entre as quais, em 19/04/2018, o helicóptero PT-YUQ, poucos dias antes do evento delituoso, já relatado, que resultou na prisão de RONELSON CÂNDIDO e comparsas, como também explicitado em passagem pretérita. Salienta-se que, a partir de diligência encetada pela Polícia Federal no Estado do Amapá, verificou-se que, em 02/05/2018, a menos de 15 dias da aquisição do referido helicóptero por VICTOR PESSOA, ANDRÉ LUIZ GOMES esteve hospedado no Hotel do Forte, em Macapá/AP, oportunidade em que estaria acompanhado de outros pilotos, quais sejam, SÍLVIO BERRY, TULIO CABRERA BARCA e LUIS FERNANDO RAZUK. De acordo com o que se investigou, esses quatro citados pilotos teriam compartilhado os apartamentos 13 e 18 daquele hotel e as despesas correspondentes teriam sido pagas por SÍLVIO BERRY JUNIOR, o qual, segundo se aponta, seria braço direito do traficante LUIS FERNANDO DA COSTA, mais conhecido como “FERNANDINHO BEIRA-MAR”. Um outro elemento a reforçar o provável envolvimento de ANDRÉ LUIZ com a ORCRIM 2, seria exatamente o fato de que aquele, dias após a prisão de ROMILTON QUEIROZ (ocorrida em março/2019), teria recebido em seu hangar, localizado na cidade de Igarassu/PE, o avião CARAVAN, de prefixo PT – TRC, operada pela empresa COMMANDER BRASIL ADMINISTRADORA DE BENS LTDA., vinculada, exatamente, a ROMILTON QUEIROZ. Há de se destacar, nesse contexto, como diligenciado, que, atualmente, a aeronave está registrada em nome da empresa HELICON TAXI AÉREO LTDA (CNPJ nº 13.013.997/0001-66), de propriedade de ANDRÉ GOMES FERREIRA.

Outra constatação relevante diz respeito ao significativo aumento patrimonial ostentado pelo investigado ANDRÉ LUIZ, tal como também se observou quanto aos também pilotos, ora investigados, ALEXANDRE JÚNIOR e VICTOR PESSOA. A ascensão patrimonial em relação a ele verificada restou bem delineada na Informação de Polícia Judiciária nº 02/2019 GISE/NE, elaborada em 22/04/2019, consoante se verifica às fls. 803/827 do IPL (id nº 4058300.11976518). Nesse sentido, merece ser reproduzido o seguinte trecho: “Segundo o colaborador, ANDRÉ “ENRICOU DO DIA PRA NOITE”, que tudo aconteceu em 2018, que ANDRÉ era um piloto de nada e agora é um empresário, que abriu uma empresa chamada ALSAE, e recentemente comprou uma empresa de TÁXI AÉREO, chamada HELICON, que está comprando aeronaves, que sabe que ele tem duas propriedades rurais em Garanhuns/PE; que ANDRÉ mora em Aldeia, numa bela casa, segundo ficou sabendo; que anda numa AMAROK, que andava numa EVOQUE blindada, mostrando a foto de um veículo LAND ROVER EVOQUE, placa FAI0660; que ANDRÉ recentemente comprou um apartamento para a mãe; que compra tudo no dinheiro, às vezes em DÓLARES. Ressalta se tratar de uma ascensão meteórica em curtíssimo espaço de tempo”. Importa, para compreensão dessa evolução patrimonial suspeita, detalhar histórico a ele atribuído, com base nas constatações apresentadas naquele documento"

 

Ainda segundo o piloto pernambucano, diz a decisão que determinou sua prisão:

 

"

De acordo com as investigações, logrou-se constatar que o investigado ANDRÉ LUIZ GOMES FERREIRA encontra-se, atualmente, na posse de sete aeronaves, algumas das quais ainda se encontram em nome dos anteriores proprietários, estando elas mantidas no Aeródromo Coroa do Avião, Aeroporto de Belém e sede da HELICON no Paraná. Cuidou a representação policial de listar os aludidos bens, na seguinte forma: TIPO/MODELO PREFIXO PROPRIETÁRIO OPERADOR 1 CARAVAN / 208B PT-TRC ERICK EMILIO MENDES ALSAE SERVIÇO AEREO ESPECIALIZADO LTDA 2 HELICÓPTERO / R44 PR-OPS J.F. & FILHOS COMBUSTIVEIS LTDAS J.F. & FILHOS COMBUSTIVEIS LTDAS 3 HELICÓPTERO / S-76C PR-LCD HELICON TAXI AEREO LTDA HELICON TAXI AEREO LTDA 4 HELICÓPTERO / 407 PT-YUQ ALSAE SERVIÇO AEREO ESPECIALIZADO LTDA ALSAE SERVIÇO AEREO ESPECIALIZADO LTDA 5 AVIÃO CIRRUS / SR20 PR-ETJ EJ ESCOLA DE AERONAUTICA LTDA HELICON TAXI AEREO LTDA 6 HELICOPTERO / R44 PP-AAE HELICON TAXI AEREO LTDA HELICON TAXI AEREO LTDA 7 HELICOPTERO / R66 PP-JAF ALCOM COMUNICACAO E TECNOLOGIA LTDA HUGO FONSECA DA SILVA.

 

De outro giro, as investigações policiais apontam, ainda, que o patrimônio de ANDRÉ LUIZ é formado por imóveis e automóveis que restaram identificados e apontados nos autos circunstanciados, informações e relatórios de diligências produzidos até o momento. Seriam eles: a) Lote com casa do Condomínio Recanto de Aldeia, situado na R. Brasil, Chã da Tábua, São Lourenço da Mata/PE, onde residia; b) Apartamentos 601, 2003 e 2203 do Edifício Rosa de Campos, na Rua General Salgado, nº 476, Boa Viagem, Recife/PE, sendo este último sua atual residência; c) Apartamento 1006, torre aqua, Cond Riviera, localizado na Rua Amália Bernardino de Souza, 532, Boa Viagem, Recife/PE; d) Fazenda localizada na zona rural do município de Garanhuns/PE, 18,5km do centro, localizada às margens da PE-218, coordenadas geográficas 8°59’27,1”S 36°33’12,2”W ou -8.99085,-36.55338; e) Fazenda localizada na zona rural do município de Brejão/PE, 3,2km do centro e 3,1km da propriedade anterior, localizada às margens da PE-218, coordenadas geográficas 9°00'29.6"S 36°33'51.7"W / - 9.008208,-36.564353. Esclarece, por oportuno, a autoridade policial, no que diz respeito aos três imóveis descritos no item ‘a” , localizados no Edifício Rosa de Campos, na Rua General Salgado, que ANDRÉ LUIZ adquiriu as três unidades, uma das quais, o apartamento 601, (SUPRIMIDO). A verificação acima teve por base a Informação de Polícia Judiciária 02/2019 – GISE/PE, que também consignou que o apartamento 2003 foi atribuído ao cunhado de ANDRÉ LUIZ, JOSÉ RICARDO DE ANDRADE GUIMARÃES, e o apartamento 2203, onde reside ANDRÉ LUIZ e sua atual 152/268 153/268 companheira SAMARA, foi atribuído ao companheiro de sua genitora e suposto sócio das empresas ALSAE e HELICON, GILBERTO GOUVEIA XAVIER. Por sua vez, citam-se, como de patrimônio de ANDRÉ LUIZ os veículos 1) VW/Amarok, placa QGN3344/RN, utilizado nas duas ocorrências acima comentadas; 2) DODGE RAM, placa QAC1962, que teria sido adquirido recentemente, em nome de sua alegada namorada, a nacional SAMARA FERNANDA MACEDO DE SOUZA, CPF 083.295.944-83; 3) I/MMC PAJERO HPE 3.2 D, placa AQY2839, registrado em nome de ELIZABETH GOMES FERREIRA DE ANDRADE GUIMARÃES; 4) LAND ROVER EVOQUE, placa FAI0660, registrado em nome de CRISTINA VICENTE FERREIRA CARLECH, porém registrada como possuidora, no sistema SINESP/INFOSEG, ELIZABETH GOMES FERREIRA DE ANDRADE GUIMARÃES e 5) Caminhão baú adaptado para transporte de cavalos VW/24.280 CRM 6X2, placa do Recife - OYR 2811, registrado em nome de JOSÉ RICARDO DE ANDRADE GUIMARÃES, CPF 638.123.633-72, esposo de ELIZABETH. Ainda a corroborar as fortes suspeitas do envolvimento de ANDRÉ LUIZ na atividade ilícita de tráfico de drogas, que estaria a viabilizar a possível prática de crime de lavagem de capitais, como acima delineado, importa frisar, como destacado no Auto Circunstanciado nº 09/2018 (id nº 4058300.10865224 da Representação Criminal nº 0803047-69.2018.4.05.8300), que no período de interceptação de diálogos mantidos entre o grupo vinculado a ANDRÉ LUIZ GOMES FERREIRA, a constatação de movimentações sugestivas da prática daqueles delitos, sobretudo a partir do transporte de substancia entorpecente pelo modal aéreo. Tal movimentação teria se configurado pelo deslocamento de ANDRÉ LUIZ GOMES FERREIRA, na companhia de seu funcionário de alcunha CHAPA, CARLOS EDUARDO DA SILVA, CPF 015.808.784-40, e uma terceira pessoa não identificada (HNI), de Belém/PA a Fortaleza/CE, em carro alugado. O percurso teria sido realizado com celulares desligados, provavelmente com o intuito de não indicar ERB (estação rádio-base) durante o referido deslocamento. Já em Fortaleza, ANDRÉ teria embarcado no helicóptero R44, prefixo PR-OPS, de sua propriedade, pilotado por BRUNO HENRIQUE. Da análise dos áudios interceptados, foi possível concluir que, apesar de terem embarcado apenas ANDRÉ e BRUNO, o helicóptero encontrava-se com peso excessivo e que, ao chegar próximo a Natal/RN, o helicóptero teria pousado em fazenda na beira da estrada, evitando o uso de aeródromo localizado a apenas 9 km. Observou-se que ANDRÉ LUIZ teria passado duas horas no Município de Parnamirim/RN, região onde em novembro de 2018 foi identificado galpão utilizado para depósito de 1.391kg de cocaína. O Auto Circunstanciado em tela destaca, em acréscimo, que, no Pará, ANDRÉ LUIZ estaria mantendo seu helicóptero SIKORSKY AIRCRAFT, S-76C, de prefixo PR-LCD em local ermo, modelo que se distingue por apresentar maior capacidade de carga, bem como estaria utilizando código ANAC de outro piloto para os planos de vôo apresentados. Reforçando ainda mais as suspeitas do envolvimento de ANDRÉ LUIZ, igualmente, a partir do Auto Circunstanciado de Interceptação Telefônica nº 11/202019, é de se destacar que, haja vista o teor das comunicações telefônicas mantidas entre colaboradores de ANDRÉ LUIZ, a presença de elementos indicativos de que o investigado teria muito possivelmente realizado o transporte de carga clandestina entre o Pará e região Sul do País, entre os dias 05 e 07 do mês de agosto. A esse respeito, reproduzase o ali consignado: “Mesmo sem habilitação para voar a aeronave Sikorsky S-76, prefixo PR-LCD, registrado em nome de sua recém adquirida empresa HELICON, o investigado pilotou do norte do país até o estado do Paraná realizando pousos de reabastecimento apenas em aeródromos não controlados. Segundo BRANDÃO, em diálogo com o investigado BRUNO no dia 04/08/2019, o próprio ANDRÉ lhe confirmou esta viagem sem registros oficiais. (...) Em outro diálogo 153/268 154/268 realizado em 08/08/2019, o também investigado ROBERTO ao comentar sobre a viagem clandestina do patrão, diz a HNI que ANDRÉ LUIZ cruzou o país quase todo sem falar no rádio transmissor. Isto reforça que o investigado ANDRÉ LUIZ não queria ser rastreado, já que provavelmente estaria transportando grande quantidade de “entorpecente” para aquela região. (...) Em áudios realizados no dia 07/08/2019, BRUNO e ROBERTO confirmam que CHAPA estava com ANDRÉ LUIZ durante o deslocamento às “escuras” realizado entre os dias 05 e 07 de agosto de 2019”. Demais disso, outro patente indício da provável atividade ilícita desenvolvida por ANDRÉ LUIZ foi registrado no Auto de Interceptação Telefônica nº 12/2019 (id nº 4058300.12457701 da Representação Criminal nº 0803047-69.2018.4.05.8300). Importa, transcrever, nesse sentido, a reprodução daquele documento trazida na representação policial ora analisada: “No dia 18/09/19, as 08:23hs, BRUNO também fala para um amigo de nome BRUNO (fonético) que o dinheiro de ANDRÉ LUIZ acabara após ter parado de voar, mais uma vez possivelmente se referindo aos voos clandestinos. BRUNO diz ainda: “NÃO SEI QUE CARAI DE VOO É ESSE, SE É MERDA DE OURO, SE É CARAI DE DROGA, NINGUÉM SABE QUE CARAI É. ELE NÃO TÁ VOANDO, ENTÃO NÃO TÁ FATURANDO, O DINHEIRO ACABOU”. Ainda neste diálogo e em outro realizado no mesmo dia com JORGE ROBERTO, também funcionário de ANDRÉ LUIZ, BRUNO informa que o investigado CARLOS EDUARDO DA SILVA, vulgo CHAPA dissera que “não duvida que o patrão” de ANDRÉ LUIZ tenha mandado alguém fazer curso das aeronaves e tome os helicópteros. BRUNO diz que CHAPA não citou nominalmente o “patrão” de ANDRÉ LUIZ, mas indicara que seriam no estado de São Paulo.” Nesse contexto, logrou asseverar a autoridade policial que o Auto Circunstanciado de Interceptação telemática nº 04 – ACIT 4, por sua vez, é também bastante revelador. Conforme relatado, “após análise de 40,2 GB de imagens e vídeos armazenados verificou-se possíveis práticas dos crimes de tráfico de drogas e lavagem de capitais, além de extração, compra e venda ilegais de ouro, possivelmente provenientes de garimpos da região amazônica brasileira, assim como se identificou endereços de imóveis possivelmente pertencentes ao investigado” (vide figuras ilustradas à fl. 187 da representação policial). Impende salientar, como esclarecido pela autoridade policial representante, sobre as constatações quanto à extração, comércio e venda de ouro, que “o emprego de ouro como pagamento pelos serviços prestados pelos “pilotos do tráfico” é conhecimento já produzido em várias investigações policiais e processos criminais, a exemplo da já referida ação criminal 2003.35.00.001211-5, em que foram denunciados ROMILTON QUEIROZ, LUIZ FERNANDO DA COSTA e LEONARDO DIAS MENDONÇA” (vide ilustração de fl. 188 da representação policial). Outro importante indício do envolvimento de ANDRÉ LUIZ com as atividades ilícitas em questão, trazido pela autoridade policial em sua representação, refere-se ao teor dos Relatórios de Inteligência Financeira nº 41583 e nº 40523, os quais apresentam relacionamento entre a HELICON TAXI AEREO LTDA com as empresas investidoras MISSION TECH, FIRST CLASS e TECH2GO COMERCIO DE PELICULA, anteriormente citadas, no contexto de relacionamento com à OCTS CONTABILIDADE, dos contadores DANIEL DOS REIS PIRES e JEFFERSON DOS REIS, e CAIO BERNASCONI BRAGA. Esclarece-se na representação policial, quando se aborda o tema do embarque da droga em navios de carga mediante contaminação de containers ou ocultação de veleiros, que “os brokers oferecerem às empresas exportadoras a segurança e benefícios de financiamento prévio dos custos da operação de exportação, mediante a apresentação de “investidores parceiros”, em tese, posteriormente ressarcidos, após realização da transferência internacional (câmbio) pelo importador”. Reforça a 154/268 155/268 autoridade policial que não se trataria de efetivos investidores, mas sim de uma rede voltada à dissimulação da origem ilícita dos valores que nelas circulam. Assim, identificou-se que a HELICON TAXI AEREO LTDA foi favorecida com 4 operações originadas da MISSION TECH ACESSÓRIOS PARA CELULARES, totalizando R$ 313.000,00; 6 operações originadas da TECH2GO COMERCIO DE PELICULA, totalizando R$ 553.379,00; e 7 operações originadas da FIRST CLASS BRINDES PROMOCIONAIS, totalizando 758.000,00. Logo, da mesma origem dos valores que teriam financiado as operações de exportação utilizadas para o tráfico internacional de drogas já descritas (relacionadas ao embarque da droga em navios de carga mediante contaminação de containers ou ocultação de veleiros), teriam advindo mais de R$1.600.000,00 em favor da empresa adquirida pelo investigado ANDRÉ LUIZ GOMES FERREIRA, a HELICON TAXI AEREO LTDA. Convém mencionar, como identificado a partir do Auto Circunstanciado de Interceptação telemática nº 4/2019, a utilização de transferência bancária por ANDRÉ LUIZ, originada da empresa LING CHEN VESTUÁRIO, CNPJ 26459853000180, nome fantasia VANESSA´S MODA, estabelecida na Rua Eliza Withaker, 269, Bras, São Paulo/SP, para compra de peças destinadas a uma de suas aeronaves, consoante apontado nos documentos ilustrados às fls. 189/190 da representação policial, destacando-se que, como demonstram os relatórios de inteligência financeira acima citados, aquela empresa relaciona-se em segundo nível com a empresa NOTA 10 COMÉRCIO DE VARIEDADES, mais uma das pessoas jurídicas apresentadas como “investidoras” das operações de exportação do tráfico de drogas. Nesse tocante, salientou a autoridade policial trecho do ACTI 4 (fls.4/44 do id.13825580): “destacamos uma transferência no valor de R$ 48.200,00 realizado por LING CHEN VESTUÁRIO para ANDREA RALSTON. ANDREA RALSTON é companheira de RICARDO HALSTON SALLE, CPF 012.631.388-10, responsável pela venda de peças de aeronaves para ANDRÉ GOMES.” Além disso, registrou que, da análise do Gráfico Geral I2 apresentado em meio físico, elaborados a partir dos relatórios de inteligência financeira constantes dos autos do IPL 077/2018-SR/PF/PE, a LING CHEN VESTUÁRIO, CNPJ 26459853000180, localizada na região de atuação da ORCRIM 4, relaciona-se financeiramente com a NOTA 10 COMÉRCIO DE VARIEDADES, empresa apontada como uma das investidoras do esquema criminoso ora apurado. Segundo a autoridade policial, “as mensagens de aplicativo multiplataforma acima printadas, confirmam que os valores foram utilizados para compra de peças para as aeronaves do piloto do tráfico ANDRÉ LUIZ GOMES FERREIRA.”
 
E conclui:
 
"Ainda que existam indícios reunidos de possível envolvimento de ANDRE LUIZ especialmente com ROMILTON e VICTOR PESSOA e indicativos de suposto envolvimento dele com o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, aquelas relações precisam ser melhor entendidas, daí porque a prisão temporária, por ora, é a medida cautelar mais indicada, sem prejuízo de, a depender do que as buscas e apreensões venham a evidenciar (ou mesmo a depender de novas provas que venham a surgir até o cumprimento efetivo das medidas aqui determinadas), poder ser ulteriormente decretada a prisão preventiva de ANDRE LUIZ. Por todo o exposto, impõe-se a decretação da prisão temporária de ANDRÉ LUIZ GOMES FERREIRA, com fundamento no art. 1°, incisos I e III, letras “l” e “n”, da Lei n° 7.960/1989, visto que imprescindível para as investigações e diante das fundadas suspeitas de sua participação nos crimes investigados, especialmente de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro decorrente do tráfico."


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