Crise na esquerda: Presidência do PSOL Recife acusa presidente estadual de se impor como vice de Marília Arraes, sem respaldo da Municipal e de fazer reuniões com o PT às escondidas. PT, por sua vez, repreende Marília Arraes por acenos ao bolsonarismo. Alianças da Arraes com partidos da direita também é criticada pelos psolistas. Confiram as notas


 

Muito tem se falado de uma crise que teria se instalado na direita que faz oposição ao PSB, em razão do personalismo de seus pré-candidatos, que estariam muito mais preocupados em se promover pessoalmente do que em derrotar o Partido governista, mas com a oposição de esquerda não tem sido diferente e, pelo visto, a unidade e a harmonia só reina mesmo dentro do PSB, onde quem manda, sem qualquer contestação, é o trio Renata Campos, Geraldo Julio e Antônio Figueira.

Por causa de uma Nota distribuída pela assessoria do PSOL Pernambuco, que tem à frente Severino Alves, personagem até então desconhecido do eleitorado recifense e que tem posado ao lado da pré-candidata do PT, Marília Arraes, como se já tivesse sacramentada sua indicação na vice da chapa petista (confira a Nota em PSOL se reúne com o Grupo Tático Eleitoral do PT para a debater sobre composição da aliança para a disputa no Recife que publicamos pela manhã), o PSOL Recife também acaba de divulgar outra Nota em que acusa que "sem o conhecimento do conjunto do diretório municipal, militantes e dirigentes do PSOL passaram a realizar tratativas com outros partidos."

A nota ainda critica aqueles que "ventilam na imprensa nomes que não foram votados no diretório para compor a chapa que o PSOL decidiu construir." Como se não bastasse, afirmam que o Partido ainda "não decidiu por qualquer nome para apresentar ao PT visando compor a chapa majoritária. Como membros de um colegiado que deve promover o debate com a militância para deliberarmos a política para o PSOL Recife, consideramos que agendar reuniões às escondidas da presidência municipal e do conjunto do diretório e seus filiados é um ato de desrespeito incompatível com o discurso de quem diz querer unificar a esquerda."

E prossegue: "É particularmente constrangedor e inaceitável que o filiado que tem seu nome veiculado na mídia como postulante a vice do PSOL apareça em reuniões que foram realizadas sem o conhecimento do diretório, para apresentar em nome do partido uma política que não foi decidida no PSOL Recife. Não existe, por exemplo, qualquer decisão aprovada pelo partido no sentido de reivindicar a presença na chapa majoritária como vice. Este debate sequer foi iniciado no diretório do PSOL Recife. Quando o filiado Severino Alves, que preside o PSOL-PE, afirma que a reunião realizada ontem com o PT 'foi um momento importante para reforçar nosso interesse político em compor essa chapa, na vice-prefeitura', só pode estar falando em nome próprio, de interesse particular, pois não há nenhuma decisão partidária que confirme sua afirmação ou a indicação de seu nome."

A presidência do PSOL Recife ainda critica a permanência do PT na gestão do PSB e as alianças anunciadas por Marília Arraes com Partidos da direita: "O PSOL não é propriedade privada de ninguém para ser levado embaixo do braço ou numa pasta para quaisquer negociações de alianças em nome de interesses que não sejam fruto de deliberações democráticas. Acerca de nossa tática eleitoral, nada além do que está em resolução do dia 07 de julho de 2020 foi aprovado por nosso diretório. Qualquer filiado que vá a terceiros falar em nome do PSOL Recife mais do que está contido naquela resolução atropela a competência da presidência para estes diálogos, age de má fé e engana seus interlocutores. A política de alianças deliberada em julho pelo PSOL foi de que 'o Diretório Municipal de Recife entende que a tática mais acertada é a aliança com os demais partidos de esquerda (PT, Rede, UP, PCB e PDT)'. Esta política tem como objetivo 'a consolidação de um campo contra a gestão local do PSB e de frontal oposição ao Bolsonarismo'. Embora tenhamos divergido naquela altura, o diretório nacional do PSOL acabou por ratificar tal posição. Ainda que avaliemos que o objetivo inicialmente proposto seja prejudicado pela permanência de forças como o PT no governo do PSB, sinalizamos que a possível inclusão de legendas fisiológicas e de direita na aliança eleitoral aprofunda o problema existente e não encontra qualquer respaldo em nossas resoluções."

Para agravar a crise na chapa da oposição de esquerda, o próprio PT Recife divulgou nota repreendendo sua pré-candidata, Marília Arraes, por fazer acenos ao bolsonarismo (Confiram em PT do Recife repreende Marília Arraes por afirmar que dialogaria com Bolsonaro, se eleita). A nota do PT Recife, a exemplo da Nota do PSOL, é assinada pelo próprio presidente municipal da legenda, para quem as declarações de Marília Arraes "não estão em sintonia com as diretrizes do Partido dos Trabalhadores nacionalmente" e diz mais: "Fazer charme com 'possíveis eleitores' do despreparado presidente é um desrespeito ao 'Fora Bolsonaro' que o PT Nacional apoia e milhares de pessoas no Recife e, pelo Brasil a fora, gritam todo dia." Nos bastidores o que se comenta é que acaso eleita, Marília Arraes teria uma ponte com Bolsonaro por intermédio do senador Fernando Bezerra Coelho, com quem mantém estreitas ligações. FBC, como todos sabem, foi do PSB, junto com Marília Arraes e hoje é o líder do governo Bolsonaro. Além disso, um dos conselheiros da campanha de Marília Arraes e que teria indicado, inclusive, um outro publicitário para ser seu marqueteiro, é o publicitário André Gustavo, da ARCOS, que tem ligações de longas datas tanto com FBC, quanto com o também senador Humberto Costa, com quem estaria trabalhando, atualmente, em Brasília.

Segundo o Blog do Jamildo, a pré-candidata não quis comentar a reprimenda levada do presidente do seu Partido.

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Confiram a íntegra da Nota do PSOL


NOTA DA PRESIDÊNCIA DO PSOL RECIFE 

Estamos a menos de 30 dias do início das eleições municipais no Recife e este é um momento importante na vida interna de partidos como o PSOL. 

Para um partido de militantes que cotidianamente constroem as lutas sociais, as eleições municipais são um momento de apresentar a crítica ao modelo de desenvolvimento capitalista das cidades, que aprofunda as desigualdades sociais e penaliza principalmente os trabalhadores(as), negras e negros, mulheres. 

 O PSOL Recife, contudo, tem perdido a oportunidade de reunir e empolgar sua militância para discutir o programa que o partido apresentará para a cidade. 

Há dois meses a direção municipal do partido não consegue se reunir e este é um quadro que tem levado parte de nossa militância a questionar o percurso do partido durante a pré-campanha. Entendemos que o questionamento tem fundamento. Pois sem o conhecimento do conjunto do diretório municipal, militantes e dirigentes do PSOL passaram a realizar tratativas com outros partidos. 

Ao mesmo tempo, ventilam na imprensa nomes que não foram votados no diretório para compor a chapa que o PSOL decidiu construir. 

 Nosso partido, até o momento, não decidiu por qualquer nome para apresentar ao PT visando compor a chapa majoritária. Como membros de um colegiado que deve promover o debate com a militância para deliberarmos a política para o PSOL Recife, consideramos que agendar reuniões às escondidas da presidência municipal e do conjunto do diretório e seus filiados é um ato de desrespeito incompatível com o discurso de quem diz querer unificar a esquerda. 

É particularmente constrangedor e inaceitável que o filiado que tem seu nome veiculado na mídia como postulante a vice do PSOL apareça em reuniões que foram realizadas sem o conhecimento do diretório, para apresentar em nome do partido uma política que não foi decidida no PSOL Recife. Não existe, por exemplo, qualquer decisão aprovada pelo partido no sentido de reivindicar a presença na chapa majoritária como vice. Este debate sequer foi iniciado no diretório do PSOL Recife. Quando o filiado Severino Alves, que preside o PSOL-PE, afirma que a reunião realizada ontem com o PT “foi um momento importante para reforçar nosso interesse político em compor essa chapa, na vice-prefeitura”, só pode estar falando em nome próprio, de interesse particular, pois não há nenhuma decisão partidária que confirme sua afirmação ou a indicação de seu nome. 

O PSOL não é propriedade privada de ninguém para ser levado embaixo do braço ou numa pasta para quais quer negociações de alianças em nome de interesses que não sejam fruto de deliberações democráticas. Acerca de nossa tática eleitoral, nada além do que está em resolução do dia 07 de julho de 2020 foi aprovado por nosso diretório. Qualquer filiado que vá a terceiros falar em nome do PSOL Recife mais do que está contido naquela resolução atropela a competência da presidência para estes diálogos, age de má fé e engana seus interlocutores. A política de alianças deliberada em julho pelo PSOL foi de que “o Diretório Municipal de Recife entende que a tática mais acertada é a aliança com os demais partidos de esquerda (PT, Rede, UP, PCB e PDT)”. Esta política tem como objetivo “a consolidação de um campo contra a gestão local do PSB e de frontal oposição ao Bolsonarismo”. Embora tenhamos divergido naquela altura, o diretório nacional do PSOL acabou por ratificar tal posição. Ainda que avaliemos que o objetivo inicialmente proposto seja prejudicado pela permanência de forças como o PT no governo do PSB, sinalizamos que a possível inclusão de legendas fisiológicas e de direita na aliança eleitoral aprofunda o problema existente e não encontra qualquer respaldo em nossas resoluções. Esperamos da parte dos aliados de nosso campo que o diálogo seja mediado pelas instâncias partidárias, sem atalhos que comprometam a qualidade das relações entre os partidos. Da mesma forma, cobraremos explicações aos filiados e dirigentes que se reúnem com outras forças partidárias sem o conhecimento do diretório municipal e da militância do PSOL Recife. Recife, 03 de setembro de 2020 

Dayvison Caetano 

Presidente do PSOL/Recife 

Áurea Cisneiros 

Diretório Municipal PSOL/Recife 

Gabriel Augusto Coêlho de Santana 

Diretório Municipal PSOL/Recife

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