Em nova Operação contra traficantes, PF apreende patrimônio avaliado em R$ 230 milhões do tráfico. Ontem o TRF5 concedeu prisão domiciliar a empresários pernambucanos do braço operacional do tráfico internacional de cocaíca


Campo Grande/MS - A Polícia Federal deflagrou, na manhã de hoje (11/9), a Operação Status com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Trata-se de mais uma ação do órgão no cumprimento das diretrizes de descapitalização patrimonial do crime organizado, cooperação internacional e prisão de lideranças.

Estão sendo sequestrados mais de R$ 230 milhões em patrimônio do tráfico de drogas no Brasil e no Paraguai.

   Imagens: PF/MS

No Brasil estão sendo sequestrados e apreendidos 42 imóveis, duas fazendas, 75 veículos, embarcações e aeronaves, cujos valores somados atingem R$ 80 milhões em patrimônio adquirido pelos líderes da Organização Criminosa.

   Imagens: PF/MS

A Operação Status se destaca também por ser um modelo de cooperação internacional entre a Polícia Federal e a SENAD/Paraguai, ressaltando que, somente em solo paraguaio, estão sendo sequestrados dez imóveis, no valor aproximado de R$ 150 milhões.

Policiais federais cumprem, também, oito mandados de prisão preventiva e 42 mandados de busca e apreensão, além das ordens de sequestro já mencionadas, todas expedidas pela 5ª Vara Federal em Campo Grande/MS.

No Brasil, as ordens judicais são cumpridas por policiais federais nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

No Paraguai ocorre o cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em coordenação com a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai, em doze locais nas cidades de Assunção e Pedro Juan Caballero.

O esquema criminoso investigado tinha como ponto principal a lavagem de dinheiro do tráfico de cocaína, por meio de empresas de “laranjas” e empresas de fachada, dentre as quais havia construtoras, administradoras de imóveis, lojas de veículos de luxo, dentre outras. A estrutura, especializada na lavagem de grandes volumes de valores ilícitos, também contava com uma rede de doleiros sediados no Paraguai, com operadores em cidades brasileiras como Curitiba, Londrina, São Paulo e Rio de Janeiro.

A operação foi batizada de “Status” em alusão à ostentação de alto padrão de vida mantida pelos líderes da organização criminosa, com participações em eventos de arrancadas com veículos esportivos de alto valor, contratação de artistas famosos para eventos pessoais e residências de luxo.

DISTRIBUIÇÃO DOS MANDADOS:

- Campo Grande/MS – 14 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão preventiva;
- Ponta Porã/MS – nove mandados de busca e apreensão;
- Dourados/MS – dois mandados de busca e apreensão;
- Cuiabá/MT – três mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva;
- Barra do Garças/MT – duas fazendas com mandado de busca e apreensão;
- Primavera do Leste/MT – dois mandados de busca e apreensão;
- Curitiba/PR – quatro mandados de busca e apreensão;
- Londrina/PR – um mandado de busca e apreensão;
- São Paulo/SP – cinco mandados de busca e apreensão;
- Rio de Janeiro/RJ – um mandado de busca e apreensão.

 OPERAÇÃO ALÉM MAR

A Polícia Federal em Pernambuco, deflagrou no último dia 18 de agosto, a Operação Além-Mar, que investiga esquema de Tráfico Internacional de Drogas e Lavagem de Dinheiro, envolvondo ORCRIM com atuação em 13 Estados, no Paraguai, na África e na Europa.

Na ocasião, a 4ª Vara Federal em Pernambuco determinou o sequestro de aviões (7), helicópteros (5), caminhões (42) e imóveis (35) urbanos e rurais (fazendas) ligados aos investigados e ao esquema criminoso, além do bloqueio judicial do valor de R$100.000.000,00 (cem milhões de reais). 

Quatro organizações criminosas autônomas, atuando em conexão, viabilizavam o esquema de tráfico internacional de drogas investigado, por meio do qual toneladas de cocaína foram exportadas para a Europa via portos brasileiros, especialmente no Porto de Natal/RN. 

A primeira, estabelecida em São Paulo/SP, promove reiteradamente a internação de cocaína pela fronteira com o Paraguai, transportando-a via aérea até o estado de São Paulo e distribuindo-a no atacado para organizações criminosas estabelecidas no Brasil e na Europa. A segunda, estabelecida em Campinas/SP, parceira da anterior, recebe a cocaína internalizada no território nacional para distribuição interna e exportação para Cabo Verde e Europa. A terceira, estabelecida no Recife/PE, é integrada por empresários do setor de transporte de cargas, funcionários e motoristas de caminhão cooptados e provê a logística de transporte rodoviário da droga e o armazenamento de carga até o momento de sua ocultação nos containers. A quarta organização criminosa, estabelecida na região do Braz, em São Paulo/SP, atua como banco paralelo, disponibilizando sua rede de contas bancárias (titularizadas por empresas fantasma, de fachada ou em nome de “laranjas”) para movimentação de recursos de terceiros, de origem ilícita, mediante controle de crédito/débito, cujas restituições se dão em espécie e a partir de TEDs, inclusive com compensação de movimentação havida no exterior (dólar-cabo). 

Durante a fase sigilosa das investigações foram presas 12 pessoas e apreendidas mais de 11 toneladas de cocaína, no Brasil e na Europa, relacionados ao esquema criminoso. Dentre esses presos estava um grande traficante que permaneceu foragido da justiça brasileira por 10 anos e era procurado pela Polícia Federal e pela National Crime Agency – NCA, do Reino Unido. Ele foi preso em Jundiaí/SP em março/2019. As investigações foram iniciadas no ano de 2018 a partir de informações difundidas à Coordenação Geral de Prevenção e Repressão ao Tráfico de Drogas – CGPRE, da Polícia Federal pela National Crime Agency – NCA, como resultado de parceria estabelecida para reprimir o tráfico de cocaína destinada à Europa. 

Ontem, a 3ª Turma do TRF da 5ª Região decidiu conceder prisão domiciliar para os empresários Antônio Gilson Ramalho e Antônio Gilson Ramalho Filho, que estavam presos desde o dia 18 de agosto, no COTEL, em razão de serem apontados como integrantes de uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína.

Os empresários, que atuam no ramo de comércio varejista de combustíveis e transporte de cargas, foram alvo da Operação Além Mar, da Polícia Federal e são apontados como integrantes do braço operacional da ORCRIM, sendo responsáveis, juntamente com outros empresários do mesmo ramo, pelo transporte da cocaína recolhida em São Paulo, vinda do Paraguai de helicóptero, até os Portos nordestinos, de onde é despachada para a Europa e a África, por meio da "contaminação de containers de cargas lícitas.

Como a Turma autorizou a aplicação de outras medidas cautelares diversas da prisão, a Juíza da 4ª Vara determinou o uso de tornozeleira eletrônica pelos investigados.

Com informações da Assessoria de Comunicação Social da PF no MS


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