Escolha de Isabella de Roldão, que não agrega nada ao "camarote", reforça a tese de que João Campos aposta em segundo turno com a prima Marilia Arraes para repetir disputa Geraldo X João Paulo que fez campanha de "faz de conta"

 

Em 2016, Geraldo Julio enfrentou, no segundo turno, a candidatura de "faz de contas" de João Paulo e Silvio Costa Filho, hoje seus aliados e defensores ferrenhos.

A escolha da ex-secretária de Geraldo Julio, Isabella de Roldão, para a vice de João Campos, imposta pelo dono do PDT, Carlos Lupi, para atender ao PSB, apenas reforça a tese que já circula nos bastidores da política, sobre a repetição de um acordo entre PT e PSB, para a ida de ambos para o segundo turno, repetindo a disputa que deu o segundo mandato a Geraldo Julio, que enfrentou um João Paulo que apenas "fez de conta" que era candidato.

A ex-secretária já era aliada do PSB, a quem vivia detonando antes de ganhar cargos para si e para o marido nos governos socialistas e não conta com o apoio de ninguém do próprio Partido, de modo que diferentemente do que os analistas de plantão andam alardeando, não acrescenta nada à candidatura do herdeiro Campos. Com o enfermeiro Rodrigo Patriota na vice, João Campos contaria com os pré-candidatos a vereadores do PDT, ligados a Tulio Gadelha, que formou uma das poucas chapas competitivas para a disputa, mas que agora foi destroçada por Carlos Lupi. Ocorre que João Campos não precisa que candidatos de centro esquerda peçam votos para ele, pois já conta com uma legião de cabos eleitorais cooptados por Geraldo Julio entre milhares de líderes comunitários espalhados pela periferia, além de contar com o voto de estrutura que os apoios de Geraldo e Paulo lhe garantem, sem falar na multidão de pré-candidatos de Partidos altamente fisiológicos como PP, Republicanos, Solidariedade, dentre outros, que mamam nas tetas federais, mas não largam os peitinhos da Prefeitura do Recife e do Governo de Pernambuco, sem falar nos candidatos do próprio PSB, que tem a maioria esmagadora dos  atuais vereadores na disputa pela reeleição pedindo votos para João.

O que João Campos precisa é turbinar a candidatura que quer enfrentar no segundo turno e para isso foi necessário rifar a postulação de Tulio Gadelha, que, sabidamente, não tiraria votos de João, mas de sua prima, a petista Marília Arraes, a adversária ideal para perder para o herdeiro Campos, num eventual segundo turno, assim como João Paulo perdeu para Geraldo Julio.

É muita ingenuidade considerar que Marília Arraes será competitiva num segundo turno em que João Campos contará com toda a estrutura do governo, com o apoio dos bolsoportunistas, do Centrão e dos próprios petistas, a exemplo de Humberto Costa, que não confiam nela. Num segundo turno, Marília Arraes contará apenas com o apoio do PSOL, Partido considerado de extrema-esquerda e ainda apresentará um vice que embora domine a estrutura do PSOL, a ponto de se impor como vice, não é conhecido por ninguém. Estarão somados contra Marília Arraes, o antipetismo e a rejeição ao radicalismo psolista, já manifestados em pesquisas eleitorais e o PSB só se move guiado por pesquisas. Tem um marqueteiro pago a peso de ouro só para analisar pesquisas de opinião. Disso todo mundo sabe no meio político.

A estratégia, portanto, do PSB é simples: impedir que candidatos da centro-direita cheguem ao segundo turno, porque na atual conjuntura em que candidatos identificados pelo eleitorado com o presidente Bolsonaro, tido como o responsável pela distribuição do "auxílio emergencial", ganham força, um segundo turno com qualquer um deles poria em risco o projeto de poder eterno dos socialistas pernambucanos. E para isso, contam até com pré-candidatos como outro ex-secretário de Geraldo Julio, o Alberto Feitosa, que foi flagrado em vídeos que circulam pelas Redes Sociais, pedindo votos nas últimas eleições para Paulo Câmara e para Humberto Costa, a quem afirmou dever um emprego quando estava na pior. Será que alguém acredita mesmo que Alberto Feitosa faz oposição ao PSB? Claro que não. É apenas mais um dentro da estratégia do PSB para impedir que candidatos competitivos da centro-direita cheguem ao segundo turno. É certo que o candidato que irá ao segundo turno com o herdeiro Campos disputará essa ida voto a voto com o terceiro colocado.

O PSB continua movendo as peças do xadrez político de Pernambuco ao seu bel prazer porque praticamente todos as peças manipuladas são suas crias ou em algum momento da história política recente estiveram a seu serviço. Muitos, aliás, ainda o estão, só que ocultamente. E segue o baile de máscaras da política pernambucana.


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