Em resposta a Priscila Krause, secretário de saúde de PE confirma que recebeu sedativos prestes a perder validade e os repassou para seis estados do Nordeste, mas não disse quais, nem quando. Compra excessiva pela PCR é investigada pelo MPF e pelo TCE/PE

20 de abr. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito

Foto: Divulgação 

O secretário de Saúde do Estado de Pernambuco, André Longo, confirmou na manhã desta terça-feira (20), em reunião da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), que recebeu da Prefeitura do Recife quantidade significativa do sedativo Propofol, componente do Kit Intubação, próxima do prazo de validade, inclusive tendo repassado o excedente para seis estados nordestinos com o objetivo de “nem deixar faltar nem deixar vencer”. 

A informação foi parte de sua resposta a questionamentos levantados pela deputada estadual Priscila Krause (DEM), que desde o final de março trouxe à tona o dado de que a gestão municipal do Recife iniciou o ano com 471 mil ampolas de Propofol, todas com prazo de validade expirando no próximo dia 30. “Nosso trabalho, como gestão estadual, no momento em que recebemos por exemplo uma grande quantidade de Propofol, como a senhora falou aí, é o de oportunizar pra nossa rede, que é muito grande, a utilização desse Propofol em tempo hábil, porque tinha uma questão de vencimento também que a senhora lembrou muito bem, fazer um controle pra nem deixar faltar e nem deixar vencer. Inclusive Pernambuco pôde nesse momento também se solidarizar com outros estados que estavam em grande dificuldade em relação ao Propofol. Só pra senhora ter uma ideia, seis estados do Nordeste receberam desse Propofol, que estava com uma data de vencimento próxima. Isso é natural dentro do SUS. As informações serão de forma muito transparente demonstradas para o gabinete da deputada Priscila Krause, que solicitou isso formalmente”, disse o secretário. 

Através de dispensa de licitação, a Secretaria de Saúde do Recife adquiriu ainda em abril do ano passado 591 mil ampolas de Propofol à empresa União Química Farmacêutica ao custo de R$ 5,0 milhões – R$ 1,7 milhão pagos via recursos do SUS. Conforme acompanhamento do gabinete da parlamentar, verificou-se que durante todo o ano de 2020, apenas 40,6 mil unidades foram usadas pelos hospitais de campanha da Prefeitura, outra parte foi doada ou emprestada, restando ao término do ano 471 mil em estoque (80% do total comprado). Após trazer o assunto à tona e tentar visitar o almoxarifado da Secretaria de Saúde do Recife – quando foi impedida pela administração municipal -, a Prefeitura afirmou que 434 mil unidades de Propofol teriam sido repassadas à administração estadual. Desde então, Priscila busca oficialmente as informações junto à Secretaria de Saúde de Pernambuco, já que os dados não constam dos portais de transparência estadual e municipal. De acordo com Priscila Krause, que desde então solicitou investigação aos órgãos de controle federais e estaduais, a informação do secretário é relevante, mas requer documentação e esclarecimentos adicionais. “A gente fica satisfeito pelo nosso trabalho diário de acompanhamento ter ajudado a salvar vidas em Pernambuco e mais seis estados do Nordeste. Isso é o mais importante. Agora, cabe à administração demonstrar oficialmente como isso ocorreu. Em relação à Prefeitura do Recife, infelizmente o que foi feito por lá na gestão de Geraldo Julio foi um desmantelo completo sob a cortina de um combate acelerado à pandemia. Acelerou-se, na verdade, a má gestão e a corrupção, e isso envolve muitos e muitos outros exemplos de insumos, medicamentos e EPIs. Tenho certeza que os órgãos competentes trarão as respostas à sociedade”, finalizou.

Conforme o Blog revelou, em primeira mão, o MPF instaurou inquérito para investigar a compra em excesso dos medicamentos. A PCR adquiriu, ainda na gestão do ex-prefeito Geraldo Julio, quantidade dez vezes maior que a utilizada em um ano de pandemia, do medicamento para intubação, Propofol, pela própria prefeitura. A compra ocorreubem março de 2020, mas em dezembro daquele ano a PCR pagou quase dois milhões de reais por 200 mil doses do medicamento, que tem prazo de validade de 24 meses, mas, com relação aos lotes repassados pela PCR ao Estado, já venceriam no próximo dia 30 de abril. Resta saber se a PCR recebeu os lotes já na iminência de seu vencimento. A conferir.

Nenhum comentário

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

© Todos os direitos reservados - 2021