Prefeitura do Recife iniciou 2021 com 471 mil ampolas de sedativo do Kit Intubação válidas somente até 30 de abril, afirma Priscila Krause

6 de abr. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito
A deputada Priscila Krause e dois vereadores foram impedidos de entrar no prédio público que armazena os insumos


Medicamentos e materiais descartáveis em estoque somavam R$ 65,9 milhões no final do ano, mas gestão João Campos já iniciou novos processos de compra

A deputada estadual Priscila Krause (DEM) esteve hoje nas instalações do Almoxarifado Central da Secretaria de Saúde do Recife, na Guabiraba, para averiguar a existência de estoque de insumos assistenciais, que incluem medicamentos, dispositivos descartáveis e EPIs, registrados no Relatório de Estoque de Material de Consumo entregue pela gestão do ex-prefeito Geraldo Julio à nova gestão municipal em dezembro de 2020. 

De acordo com acompanhamento do gabinete da parlamentar, chama atenção a quantidade de itens que aparecem como disponíveis, a exemplo de 471 mil unidades de ampola do anestésico Propofol, utilizado no Kit Intubação para pacientes Covid-19, em falta em todo o País. 

A parlamentar não foi autorizada a visitar o recinto e anunciou em live nas redes sociais, na área externa do prédio, que já protocolou nos órgãos de controle federais e estaduais representação para que o estoque municipal seja rapidamente investigado, além de comunicado ao Ministério da Saúde a respeito dos achados. “Como se sabe, a gestão Geraldo Julio fez compras assombrosas de insumos médicos para o plano de contingência da Covid-19, tudo às pressas, em quantidades superestimadas e sem licitação. Desde abril do ano passado, persistimos na fiscalização diária e identificamos que a nova gestão recebeu oficialmente quantidades gigantescas de vários itens, muitos deles componentes do kit intubação e em falta em todo o País. O caso do Propofol chama muita atenção e precisa ser esclarecido porque está faltando para garantir assistência à vida. Se não estão no estoque, o que fizeram com as ampolas?”, questionou. 

Das 591 mil unidades compradas à empresa União Química Farmacêutica – todas aparecem no Relatório de Entrada do Estoque como recebidas em abril de 2020 – 80% (471 mil) seguiam no estoque da Prefeitura em dezembro. Em 2020, apenas 40,6 mil foram efetivamente utilizadas nos hospitais da rede municipal, enquanto outra parte foi emprestada ou doada. Em janeiro deste ano, conforme Relatório de Saída de Produtos também obtida pelo gabinete da parlamentar, 3,2 mil unidades foram distribuídas, restando 468 mil unidades. Ainda segundo os dados oficiais, a data de validade das ampolas é 30 de abril de 2021, restando 24 dias até lá. Além das 471 mil unidades do sedativo, chamam atenção o registro de 59 mil unidades do medicamento Midazolam, 7,0 mil unidades de sistemas fechados de aspiração traqueal, 1,4 milhão de torneiras de três vias, 2,6 milhões de lancetas para medição de glicose, 36 mil unidades de coletor de urina de 1,2 litro, 8,2 mil unidades de máscaras de não reinalação, 29,9 mil filtros higroscópicos, 124 mil tubos endotraqueais, 17 mil cânulas para traqueostomia e 26,2 mil ampolas do medicamento Cefepima. 

De EPIs, chamam atenção 2,7 milhão de pares de luvas cirúrgicas, 4,7 milhão de luvas de procedimento não cirúrgicos tamanho “M” e 328 mil máscaras N95. 

“Chama ainda mais atenção que todos os esses produtos listados estão novamente sendo licitados para compras da nova gestão em processos licitatórios do Fundo Municipal de Saúde. É preciso ter a certeza de que o estoque existe e o motivo das novas compras”, acrescentou Priscila.

O estoque de insumos da Secretaria de Saúde do Recife é regulado pela plataforma Hórus do Ministério da Saúde. Todos os registros de entrada, saída e baixa são obrigatoriamente registrados no sistema. Em julho e setembro de 2020, Priscila Krause questionou a Prefeitura do Recife sobre as compras em quantidades superdimensionadas, via dispensa de licitação, para o plano de contingência Covid-19. De acordo com ela, havia duplicidade nas aquisições, visto que as próprias Organizações Sociais responsáveis pela gerência dos hospitais de campanha instalados na rede municipal compravam os insumos aos seus próprios fornecedores, inutilizando parte considerável das compras centralizadas pela gestão municipal, alvo de operações da Polícia Federal e de auditorias do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco.

O Blog procurou a Prefeitura do Recife, por intermédio de sua asseasoria de imprensa, mas até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço, no entanto, segue aberto para eventual pronunciamento da PCR.

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