Salles atuou de forma explícita a favor de madeireiros, diz delegado da PF afastado

22 de abr. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito

Foto: Rede Brasil Atual

Para o ex-Superintendente da PF no Amazonas, Salles colocou em dúvida o trabalho da PF e patrocinou a ação dos criminosos. 

Foco da mídia depois de ter sido afastado do cargo de Superintendente da Polícia Federal, no Amazonas, por investigar crimes ambientas e grilagem de terras da União na Região, supostamente cometidos por madeireiros ligados ao Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles e ao senador Telmário Mota (PROS-RR), contra quem encaminhou notícia-crime ao STF, por favorecimento a madeireiros, o Delegado da PF, Alexandre Saraiva reforçou, em entrevista ao Jornal o GLOBO, as denúncias contra Salles.

De acordo com o delegado, a interferência de Salles em prol dos investigados é feita de maneira explícita, ao ponto de haver vídeo do Ministro apontando para a placa de uma empresa investigada que segundo ele 'estava tudo certinho'. No entanto, afirma o delegado, com relação a esta empresa, já existia até laudo pericial apontando as ilegalidades cometidas.

A atuação de Salles teria ocorrido após a PF ter realizado a maior apreensão de madeira da história na Amazônia, na divisa do Pará com o Amazonas, durante a operação Handroanthus, no início do ano. Salles foi à área onde a madeira está apreendida e chegou a fazer críticas à operação. 

Na entrevista, Saraiva ainda classificou como “desnecessária” a proposta de Salles de criar uma espécie de “patrulha armada” para realizar operações de combate ao desmatamento. "Essa proposta é desnecessária para dizer o mínimo. Nós já temos a PF, Ibama e ICMBio para fazer isso", afirmou.  

Questionado sobre quais teriam sido, especificamente, as ações de Salles que levaram à notícia-crime ao STF, Saraiva respondeu: "Num primeiro momento, ele colocou em dúvida o trabalho da PF. Em um segundo momento, foi uma conduta que patrocinava justamente a ação dos criminosos. Nos pareceu que a conduta toda favorecia os criminosos. Quando recebemos os documentos dos madeireiros e analisamos, verificamos ainda mais fraudes. Foi quando nós começamos a redigir o documento para o STF. Isso não era uma opção pra mim. É um poder-dever. Era uma obrigação. Se fosse uma pessoa sem foro, instauraríamos o inquérito. Como tinha foro privilegiado, comunicamos ao Supremo." E concluiu: "Comunicamos a prática de obstar ou dificultar a ação fiscalizadora do poder público, o embaraço à investigação de organização criminosa e a advocacia administrativa. Em todos esses tipos (penais), ele estaria atuando e favorecendo os madeireiros e isso foi feito de uma forma muito explícita."

A entrevista completa pode ser acessada no site do Jornal e é exclusiva para assinantes.


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