Salles legitimou ação de criminosos, diz delegado da PF

27 de abr. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito
Alexandre Saraiva/Foto:Reprodução

Durante depoimento, delegado Alexandre Saraiva confirmou todas as denúncias feitas contra o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, na notícia-crime encaminhada ao STF

Em comissão realizada pela Câmara dos Deputados para discutir o assunto, Saraiva disse que Salles decidiu se colocar ao lado dos madeireiros a partir da avaliação de duas toras de madeira, quando estava diante da maior apreensão de madeira ilegal já feita pela PF em toda história

O delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva reafirmou, em depoimento durante audiência pública na Câmara dos Deputados, nesta segunda-feira, 26, os fatos levados ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em uma notícia-crime, que foi o estopim para sua demissão do cargo de Superintendente Regional do Amazonas.

Durante o depoimento, o delegado afirmou que Ricardo Salles decidiu se colocar ao lado dos madeireiros a partir da avaliação de duas toras de madeira, quando estava diante da maior apreensão de madeira ilegal já feita pela PF em toda história.

“Não se pode, com análise de duas toras, anular todo esse trabalho que foi realizado pelos peritos da Polícia Federal. Se é para criticar, que se colocasse uma equipe técnica do Ibama para fazer verificação da área”, declarou o delegado aos deputados.

"Nós temos mais de 70% da madeira apreendida que não apareceu dono, ninguém reivindicou. Como é que o ministro pode dizer que aquilo ali está tudo certo e que a Polícia Federal está errada?”, questionou. “A principal empresa que está na região recebeu mais de 20 multas do Ibama, deve aproximadamente de R$ 9 milhões. O senhor ministro fez uma inversão, tornou legítima a ação dos criminosos e não dos agentes públicos. Em linhas gerais, sendo bem conciso, foi isso que nos motivou a fazer essa notícia crime.”

Após realizar a maior apreensão de madeira ilegal da história do País, o delegado Alexandre Saraiva foi "premiado" pelo governo Bolsonaro com seu afastamento do cargo de Superintendente, sendo substituído pelo também delegado Leandro Almada, que já atuou como seu número 2 e foi responsável pelo grupo de investigações ambientais sensíveis na superintendência.

A troca foi confirmada logo após Saraiva encaminhar notícia-crime contra Salles ao STF.

Salles tem acusado o delegado de estrelismo e busca por holofotes.

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