Consultor ouvido pelo Blog explica fiasco da operação da PM durante protesto no Recife contra Bolsonaro e que deixou duas pessoas cegas

31 de mai. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito

Equipe do Batalhão de Choque avança contra manifestantes durante protesto contra Bolsonaro no Recife (Foto: Reprodução)
 

Segundo especialista em segurança pública ouvido pelo Blog, apesar da existência de algumas equipes do BPCHOQUE, a maioria do efetivo utilizado na ação não era especializado em controle de distúrbios. O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, destacado pelo governador como porta-voz da crise, afirmou, em entrevista à Rede Globo, na manhã de hoje, 31, que a "A operação não foi autorizada pela Secretaria de Defesa Social na forma como aconteceu", dando a entender que a operação de contenção foi, sim, autorizada pela SDS, só que teria sido executada de forma equivocada.

Um consultor em segurança pública, ouvido pelo Blog da Noelia Brito, sob reserva, afirmou que a operação de repressão determinada pelo governo para conter a manifestação contra Bolsonaro, no último sábado 29, começou errada desde seu planejamento.

Segundo ele, apesar da existência de algumas equipes do BPCHOQUE, a maioria do efetivo utilizado na ação não era especializado em controle de distúrbios.

Por sua vez, "GATI e outras unidades da PM são adestradas para policiamento comum, de repressão à criminalidade", explica o consultor.

"Até mesmo a Rádio Patrulha, cujo efetivo é identificado pela boina grená, mesmo tenho passado por um estágio chamado de ‘choque ligeiro’, não possuía, na ocasião, os equipamentos próprios para a missão recebida. Não possuíam capacetes com viseiras, escudo e roupas com proteção contra pedradas. Sem ter como se proteger, não lhes restou outra alternativa senão o uso de armas que, apesar da baixa letalidade, ferem e até matam. Assistindo de camarote, o Secretário de Defesa Social nada fez para impedir o desastre", criticou o consultou.

O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, destacado pelo governador como porta-voz da crise, afirmou, em entrevista à Rede Globo, na manhã de hoje, 31, que a "A operação não foi autorizada pela Secretaria de Defesa Social na forma como aconteceu", dando a entender que a operação de contenção foi, sim, autorizada pela SDS, só que teria sido executada de forma equivocada.

Por sua vez, a Folha de São Paulo confirmou informação que já circulava desde a tarde do sábado de que a Cúpula da segurança de Pernambuco monitorava câmeras no momento de ação da PM em protesto. Segundo a Folha, "os policiais militares do Batalhão de Choque começaram a atirar às 11h44 contra os manifestantes que seguiam de maneira ordeira por uma avenida do centro do Recife. Pouco tempo depois, vídeo publicado pela Secretaria de Defesa Social numa rede social mostra o titular da pasta, Antônio de Pádua, e o secretário-executivo, Humberto Freire, sentados na mesa de monitoramento do Centro Integrado de Comando e Controle Regional. Neste local, é possível monitorar em tempo real todas as câmeras no estado. Há várias delas instaladas na área central da capital pernambucana. O secretário acompanhava as fiscalizações policiais em decorrência das medidas restritivas mais rígidas em Pernambuco em razão da pandemia do novo coronavírus. O centro do Recife é justamente um dos pontos mais importantes para checagem por ter um forte comércio de rua. Quase uma hora depois do início da repressão policial no centro da capital, às 12h34, o secretário aparece ao vivo em uma emissora de televisão ao lado do telão de monitoramento apontando imagens na zona sul da capital e também na cidade de Olinda. Neste momento, não aparecem câmeras da área central do Recife."


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