Página não oficial da ROCAM (PMPE) posta vídeo das agressões a manifestantes dizendo combater o comunismo

30 de mai. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito

 

A postagem da Página, que é seguida pela SDS, chama mais ainda atenção pelo fato de Pernambuco ser um Estado em que o governador é um dos principais expoentes do Partido Socialista Brasileiro e de sua vice, Luciana Santos, ser a presidente nacional do Partido Comunista do Brasil.

Ao que tudo indica, o governador Paulo Câmara perdeu a autoridade com relação a uma parte do efetivo da Polícia Militar de Pernambuco.

O governador assumiu, em vídeo postado em suas redes sociais, que não partiu dele a ordem para que dois dos Batalhões da Polícia Militar atacassem a manifestação pacífica pelo impeachment de Bolsonaro com bombas, tiros de balas de borracha, gás e spray de pimenta, deixando saldo de pelo menos duas pessoas - que sequer participavam da manifestação -, gravemente feridas, inclusive com a perda da visão de uma delas.

 

Daniel Campelo da Silva, 51 anos, morador dos Torrões, zona oeste do Recife, foi uma das pessoas violentamente atingidas pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar de Pernambuco. Daniel sequer participava do protesto. No final da tarde, a família foi avisada que o trabalhador havia perdido o globo ocular. (Foto: Hugo Muniz)
 

A postagem chama mais ainda atenção pelo fato de Pernambuco ser um Estado em que o governador é um dos principais expoentes do Partido Socialista Brasileiro e de sua vice, Luciana Santos, ser a presidente nacional do Partido Comunista do Brasil.


Fontes do Blog argumentam que os policiais não teriam cometido qualquer ato de insubordinação, pois apenas cumpriam o Decreto do próprio governador, ordenando o isolamento social rígido e uma recomendação do Ministério Público do Estado, em razão do aumento de casos e da lotação das UTIs para pacientes da Covid-19.

Por outro lado, chama atenção que durante a pandemia, aliados e apoiadores do presidente Bolsonaro realizaram manifestações na Av. Boa Viagem, sem uso de máscaras e fazendo a apologia da ditadura militar e do fechamento do Congresso e do STF, descumprindo não apenas decretos de Paulo Câmara, proibindo aglomerações e obrigando ao uso de máscaras, mas cometendo crimes contra a democracia e, no entanto, não sofreram a repressão que se viu contra os manifestantes de esquerda.

Como se não bastasse o ato que, segundo o próprio governador, seria de insubordinação dos comandos do Batalhão de Choque e da Raio, uma página da ROCAM, que é seguida pela Secretaria de Defesa Social, postou um vídeo dos ataques da PM pernambucana, contra os manifestantes, com a seguinte legenda: "Combatendo o Comunismo. Eles que venham. Por aqui não passarão. #choque #raio. A postagem da página não oficial da ROCAM e que até o momento da publicação desta matéria já contava com mais de 19 mil visualizações, pode ser conferida em https://www.instagram.com/p/CPerf3on-dL/.

A postagem chama mais ainda atenção pelo fato de Pernambuco ser um Estado em que o governador é um dos principais expoentes do Partido Socialista Brasileiro e de sua vice, Luciana Santos, ser a presidente nacional do Partido Comunista do Brasil.

O governador, após a repercussão nacional, altamente negativa, da operação - que ele afirma ter sido feita à sua revelia e da agressão à vereadora do PT do Recife, Liana Cirne, com spray de pimenta diretamente nos olhos -, anunciou uma medida tímida de afastamento do comandante da operação e dos policiais que teriam agredido a vereadora, deixando nos cargos os superiores hierárquicos dos policiais que o próprio governador aponta como insurretos e que ou foram coniventes com as agressões ou que demonstram perda de autoridade sobre a tropa.

Homem baleado pela PM perdeu o olho, mas nem estava na manifestação

Os casos de excessos imputados à PM pernambucana, sob o comando do PSB, não são novidade. Em fevereiro de 2020, o mesmo Batalhão de Choque que atacou manifestantes no protesto de ontem, 29, dispensou um protesto de enfermeiros e técnicos de enfermagem na Av, Agamenon Magalhães com bombas e gás. Naquela oportunidade, o ato era contra o governo de Paulo Câmara. Confiram a ação em https://tvjornal.ne10.uol.com.br/bronca-24-horas/2020/02/13/batalhao-de-choque-entra-em-confronto-com-enfermeiros-na-agamenon-184063.

O coronel Meira, uma espécie de caricatura do que há de pior no bolsonarismo e que na ativa sempre foi muito prestigiado pelos governos do PSB, em 2005, deu uma gravata em um estudante durante um protesto, que foi duramente reprimido pelo Batalhão de Choque da PM de Pernambuco, sob as ordens do então coronel Luiz Meira, que, à época, era policial da extrema confiança do governo socialista de Pernambuco, contra quem se virou, sabe-se lá movido por quais interesses contrariados. Meira hoje, na falta do que fazer, dedica-se a atacar a Polícia Federal, arvorando-se de mandar demitir a Superintendente na corporação, a quem acusa falsamente de ser aliada do PSB. Além de bravatas contra a Polícia Federal, o ex-todo-poderoso da PM pernambucana gosta de esculachar, por meio de blogs financiados por prefeituras bolsonaristas,, a seus antigos aliados do PSB. 

Prestigiado, no passado, pelos "socialistas" de quem comandou o Batalhão de Choque da PM, o coronel aposentado da PM/PE, Luiz Meira, é hoje um inimigo e "caçador" dos "comunistas" imaginários inventados pela ultradireita caricatural bolsonarista, ao lado do mensaleiro condenado Roberto Jefferson, de quem ganhou o comando do PTB de Pernambuco (Foto: JC/Imagem)

A situação do governador de Pernambuco não é nada confortável. A postura sempre oscilante do PSB, que ora pende para a direita e ora se inclina para a esquerda, conforme as conveniências eleitorais, não é novidade para ninguém que conheça um pouco da política pernambucana, mas, no momento, tenta costurar a retomada da aliança com o PT - Partido da vereadora agredida -, na tentativa de eleger o candidato do PSB à sua própria sucessão, com o apoio de Lula, o principal cabo eleitoral de Pernambuco, Estado natal do líder petista e onde é idolatrado.

Ao dizer que desconhecia a operação de repressão ao protesto antibolsonarista, assume que não comanda sua própria Polícia, desmoralizando-se perante a população e a corporação. Ao determinar apenas medidas frágeis de afastamento de policiais de baixo escalão, comprova que tem medo do monstro que criou ao não coibir, quando podia, os excessos de sua Polícia.



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