Bolsonaro tenta manobra para antecipar aposentadoria de Ministro do TCU para colocar governista na vaga que é do Senado

21 de jun. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito
Foto: Divulgação

Manobra, porém, esbarra na disputa da vaga por senadores aliados dos dois grupos que se antagonizam, hoje, no Senado. De um lado, o presidente Pacheco e, do outro, o ex-presidente da Casa, Renan Calheiros. Enquanto grupo de Pacheco defende nome de Antonio Anastasia, grupo de Renan apoia Kátia Abreu. Nenhum dos dois compõe a base governista. 


Apuração feita pelo Valor Econômico aponta para uma manobra governista para forçar aposentadoria do ministro Raimundo Carreiro, do TCU, para indicar governista para a vaga e se se blindar contra eventuais acusações de improbidade, mas o tiro parece ter saído pela culatra.

Segundo o Valor, o Palácio do Planalto sinalizou que poderia indicar Carreiro para o posto de embaixador do Brasil em Portugal, uma manobra para antecipar a aposentadoria dele em dois anos e, com isso, permitir que Bolsonaro tenha um ministro mais favorável a seu governo na Corte.

A articulação envolveria também Rodrigo Pacheco, já que a vaga de Carreiro está no grupo de cadeiras cuja escolha depende do Senado. Das nove vagas de ministros que existem no TCU, três são indicações exclusivas do Senado, três da Câmara dos Deputados e as outras três do Executivo.

Entretanto, a vaga passou a ser disputada por dois senadores não alinhados com o governo Bolsonaro. De um lado, Antonio Anastasia (PSD-MG), que é conterrâneo do presidente do Senado e que tem como suplente um amigo de Pacheco, Alexandre Silveira, que trabalhou na campanha do presidente do Senado em 2018 e que assumiria a cadeira de Anastasia, caso este fosse confirmado para a vaga de Carreiro.

Do outro lado, a turma de Renan Calheiros reagiu defendendo o nome da senadora Katia Breu, do PP-TO. Kátia é presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, colegiado que é responsável justamente por apreciar indicações para as embaixadas. A senadora já avisou que se Carreiro for indicado a uma embaixada, ela não coloca a indicação em pauta nem marca sabatina, travando todo o processo. Além disso, os emedebistas dizem ter acordo com Carreiro para que ele só deixe a vaga no TCU com aval do partido.

Agora, emedebistas e aliados de Pacheco conversam, nos bastidores, sobre como resolver o impasse, diz o Valor. A situação gerou especulações até mesmo sobre uma possível intermediação do ex-presidente José Sarney, que foi ao Senado para receber uma homenagem, na semana passada, e se encontrou com Pacheco. Apesar disso, interlocutores do presidente do Senado negam que ele tenha conversado com o cacique emedebista sobre o assunto.

Nomes próximos a Pacheco rechaçam também que ele tenha se movimentado para beneficiar Alexandre Silveira. Pelo contrário. Seria apenas conversas em auxílio a Anastasia, que não teria mais interesse em continuar na política e considerava assumir uma vaga no TCU no final de seu mandato. Os aliados de Pacheco dizem que Anastasia tem perfil técnico e, por isso, seria um dos mais preparados para compor a Corte do tribunal.

Segundo o Valor, Anastasia tem evitado falar do assunto. A única certeza, dizem pessoas próximas, é que o senador do PSD está longe de ser um governista e dificilmente atuaria com esse viés no TCU. Apesar da “ajuda” vinda do Palácio do Planalto, o senador do PSD é bastante contrário às práticas de Bolsonaro - motivo pelo qual inclusive rechaçou no ano passado ser o candidato à Presidência do Senado com apoio do antecessor, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e do governo.

Esta não é a primeira vez que o governo Bolsonaro tenta colocar aliados no TCU. Recentemente o Executivo indicou o ex-ministro Jorge Oliveira para a Corte.

Nenhum comentário

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

© Todos os direitos reservados - 2021