Considerada a primeira estilista brasileira, Zuzu Angel completaria 100 anos neste sábado, 5 de junho

5 de jun. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito
Zuzu Angel em NY no início dos anos 70 / Foto: Acervo Instituto Zuzu Angel

A estilista Zuzu Angel completaria 100 anos neste sábado (05). Além de seu trabalho pioneiro na moda, ela se tornou ícone da luta contra a ditadura ao denunciar que seu filho Stuart Angel, militante do MR-8, fora assassinado por militares. Em 1976, foi morta por agentes da repressão em uma emboscada.

Zuleika de Souza Netto, mais conhecida como Zuzu Angel, nasceu na cidade mineira de Curvelo, onde também nasceu o escritor Lucio Cardoso. Zuzu já tinha renome internacional por seu trabalho inovador como estilista quando se notabilizou internacionalmente por sua luta contra a ditadura civil e militar que assassinou seu filho, o militante do MR-8, Stuart Angel.

A arte de Zuzu está em exibição em duas instituições que homenageiam sua memória: o Instituto Zuzu Angel de Moda do Rio de Janeiro, fundado em 1993 e primeiro a ter um curso superior de Moda na cidade do Rio de Janeiro e a Casa Zuzu Angel de Memória da Moda do Brasil, inaugurada em 2015, ambos idealizados pela filha e jornalista Hildegard Angel.

O tanque de guerra e o quepe são motivos que aparecem, em traços infantis, nos bordados do vestido que fez parte do desfile-protesto de 1971 (Fonte: Memorial da Democracia)

Segundo o MultiRio, até a década de 1950, os figurinistas se limitavam a reproduzir, por aqui, o estilo parisiense. Mas Zuzu, que pode ser considerada a primeira estilista brasileira, assimilou elementos da cultura popular – materiais como rendas nordestinas, chitas com cores fortes, conchas, pedras brasileiras e estamparias que reproduziam a flora e a fauna tropicais. "Sua marca registrada era um anjinho, que assinava o sobrenome Angel (anjo, em inglês), e tanto podia ser visto em um bordado ou em uma etiqueta aplicada na parte externa das peças, quanto nas sacolas, adesivos e papel de presente que criavam a identidade visual da grife."

Elke Maravilha, modelo das coleções e amiga íntima de Zuzu (Fonte: Instituto Zuzu Angel)

Na década de 1970, Zuzu conquistou o mercado norte-americano, no qual sua clientela era composta por celebridades como Joan Crawford, Kim Novak e Liza Minelli. 

A vida de Zuzu deu uma reviravolta quando seu filho, Stuart Angel, integrante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), desapareceu, em 14 de junho de 1971, após ser preso por agentes do Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica (Cisa). Uma carta de Alex Polari de Alverga, enviada à estilista, descrevia o suplício e morte de Stuart, ocorrido na Base Aérea do Galeão.

Começou ali o calvário de Zuzu Angel para denunciar à imprensa e à opinião pública, inclusive do exterior, as torturas, o assassinato e a ocultação do cadáver de Stuart Angel.

A partir daí, Zuzu criou a primeira coleção de moda política da história, com um desfile-protesto realizado no consulado brasileiro em Nova York. "As criações misturavam os mesmos elementos identificados com o trabalho de Zuzu, como anjos e pássaros, agora em um contexto de violência e opressão – engaiolados, amordaçados, aprisionados e cercados de referências à violência militar", narra o site MultiRio.

 

Em 2006, o cineasta Sérgio Rezende dirigiu Zuzu Angel, filme que retrata a vida da estilista, protagonizada por Patrícia Pillar. 


Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade recebeu de Cláudio Antônio Guerra, ex-agente da repressão que operou como delegado do Departamento de Ordem Política e Social do Espírito Santo (DOPS), a confirmação da participação dos agentes da repressão na morte de Angel.

 

O cantor e compositor Chico Buarque homenageou Zuzu Angel com a canção Angélica, uma parceria com Miltinho:



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