Documento interno da PMPE compromete toda a cadeia de comando da instituição na ação que deixou duas pessoas cegas no Recife. Ex-Comandante Geral é citado três vezes como ordenador da ação. Governador, em entrevistas, atribui culpa a policiais subalternos

5 de jun. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito

Foto: ARTHUR SOUZA/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

 "Este oficial recebeu novamente uma ligação do Coordenador do COPOM (Maj PM XXX), informando que a determinação do Comandante Geral da PMPE era dispersar todos os manifestantes que estavam presentes naquele local. Assim, a Tropa de CHOQUE fez o deslocamento em direção aos manifestantes para tentar com a ação de presença dispersá-los, porém sem êxito, pois os manifestantes começaram a arremessar pedras e paus contra o policiamento, que para resguardar a integridade do efetivo", reporta documento interno da PM obtido pelo Blog da Noelia Brito.

Documento interno do Comando Geral da Polícia Militar de Pernambuco, em poder do Blog da Noelia Brito, revela que um dos oficiais de campo que atuaram na repressão à manifestação contra Bolsonaro, no dia 29 de maio, ao relatar as ocorrências daquele dia, ao Subcomandante do BPCHOQUE, informou ter recebido ordens dos superiores hierárquicos para dispersar a manifestação.

Dirigindo-se ao superior hierárquico, no Documento denominado "Comunicação de Intervenção CDC", lançado no SEI do Governo de Pernambuco, ainda no dia 29 de maio, dia da ocorrência, o oficial informa o seguinte: "recebi ligação telefônica por volta das 10h20mim do Comandante do Batalhão de Choque (XXX), o qual me informou que por determinação do Sr. Coronel PM (XXX), Diretor Adjunto da DIRESP, os pelotões Alfa e Bravo deveriam ficar a postos para acionamento, pois já havia a determinação do Exmº Sr. Comandante Geral da PMPE para fazer deslocamento para a Praça do Derby entrar em contato com o Comandante do policiamento local e realizar a dispersão de uma manifestação de militantes com aproximadamente 300 (trezentas) pessoas, que estavam em flagrante descumprimento ao Decreto Estadual sobre a COVID-19."

Em seguida o oficial reporta que "Após instantes ao exposto acima, recebemos a determinação do acionamento da Tropa de CHOQUE pelo Comandante do Batalhão, ratificando para este oficial as ordens recebidas de escalões superiores para a dispersão (Diretor Adjunto da Diresp)."

E prossegue: "Ao chegar com a Tropa de CHOQUE na praça do Derby, entrei em contato o Maj PM (XXX), via telefone, onde fui informado por ele, que a determinação do Comando Geral da PMPE era para fazer a dispersão da manifestação em virtude da aglomeração que poderia alastrar ainda mais a Pandemia que assola nosso Estado, contudo já havia o deslocamento de grande parte dos militantes em passeata em direção à Av. Conde da Boa Vista, não sendo necessário a intervenção naquele momento, da Tropa de CHOQUE para a dispersão devido ao deslocamento dos manifestantes."

"Por volta das 11h30 o Cap PM (XXX) (Oficial de Supervisão) chegou ao local e incorporou na Tropa de CHOQUE, neste mesmo momento, recebi uma ligação do Maj PM (XXX), Coordenador do COPOM, me informando que a determinação do Comandante Geral da PMPE era para que: se os manifestantes avançassem em direção à Praça do Diário, era para a Tropa de CHOQUE realizar a dispersão via CDC, usando os meios dispostos", relata, ainda, o mesmo oficial.

 Ainda segundo o relato: "12. Diante disto, como já havia a Ordem de Dispersão por parte do Comando Geral da PMPE e a Tropa de CHOQUE já estava sendo hostilizada sofrendo agressões injustificadas, iniciou-se o processo de dispersão os manifestantes agressores do local, com utilização escalonada de força dos materiais de menor potencial ofensivo e com as técnicas e táticas de controle de distúrbios civis (CDC)".

 "Este oficial recebeu novamente uma ligação do Coordenador do COPOM (Maj PM XXX), informando que a determinação do Comandante Geral da PMPE era dispersar todos os manifestantes que estavam presentes naquele local. Assim, a Tropa de CHOQUE fez o deslocamento em direção aos manifestantes para tentar com a ação de presença dispersá-los, porém sem êxito, pois os manifestantes começaram a arremessar pedras e paus contra o policiamento, que para resguardar a integridade do efetivo", reporta.

"Destarte, fizemos o deslocamento paralelo aos manifestantes e chegamos na Praça do Diário por volta das 11h10. No local, a Tropa de CHOQUE foi posta na Av. Guararapes, por ser um local de fácil dispersão para os manifestantes (em caso de intervenção) e por ser mais seguro para os transeuntes que passavam no local. 8. Por volta das 11h30 o Cap PM XXX (Oficial de Supervisão) chegou ao local e incorporou na Tropa de CHOQUE, neste mesmo momento, recebi uma ligação do Maj PM XXX, Coordenador do COPOM, me informando que a determinação do Comandante Geral da PMPE era para que: se os manifestantes avançassem em direção à Praça do Diário, era para a Tropa de CHOQUE realizar a dispersão via CDC, usando os meios dispostos", revela o relatório.

Os nomes dos oficiais de patentes inferiores foram suprimidos para atender pedido de nossa fonte, já que a finalidade da divulgação é demonstrar que as versões dando conta de que não houve ordem superior para a dispersão e de que a ação teria sido iniciativa pessoal desses oficiais é, no mínimo, questionável. 

A versão de que a dispersão teria sido iniciativa pessoal dos policiais em campo tem sido sustentada pelo governador Paulo Câmara e pelo ex-secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, em entrevistas. Sobre o caso, o ex-comandante geral da PMPE ainda não se pronunciou.

Experiente advogado, com trânsito no ambiente policial, ouvido pelo Blog da Noelia Brito, asseverou que será inevitável o chamamento do Cel Vanildo Maranhão ao seio da investigação. Como testemunha ou investigado. "Aposto nessa última hipótese", disse ele. 

Com a palavra o governador Paulo Câmara, o ex-secretário Antônio de Pádua e o ex-comandante geral da PM, coronel Vanildo Maranhão.

 
 




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