IstoÉ aponta nepotismo e lobby na Embratur. Negócios, em Pernambuco e São Paulo, envolveriam advogado pernambucano e irmão de Bolsonaro

3 de jun. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito
Foto que ilustra a reportagem da IstoÉ, com Medeiros, da Embratur (1º à esq) e ministros Gilson Machado (centro) e Tarcísio de Freitas (4º à esq.) / Foto: Divulgação

Segundo IstoÉ, funcionários pernambucanos da EMBRATUR  estariam atuando em prol de empresários na cidade de Ipojuca, município pernambucano onde o secretário de Articulação Política do Município é um irmão do ministro do Turismo, Gilson Machado. Além disso, a Agência funcionaria como "cabide de empregos" para apaniguados e parentes de ministros bolsonaristas e como escoadouro de recursos públicos para aliados políticos de um dos irmãos do presidente Bolsonaro, no interior de São Paulo.

A revista IstoÉ, que começa a circular, hoje, 2, traz matéria em que aponta "um flagrante conflito de interesses entre os projetos oficiais da instituição e as atividades privadas praticadas por graduados funcionários do órgão. ISTOÉ apurou que o advogado João Vita Fragoso de Medeiros, atual gerente jurídico da agência de turismo, tem usado de sua influência no órgão para atrair investimentos turísticos para a praia de Maracaípe, no município de Ipojuca, em Pernambuco, como resorts e um parque aquático. O funcionário da empresa do governo federal possui inúmeras propriedades no local, como pousadas, haras e terrenos onde realiza eventos privados, e, segundo moradores e integrantes de ONGs da região, ele planeja se beneficiar diretamente dos empreendimentos que deverão contar, inclusive, com a destinação de recursos públicos."

Ainda segundo a revista, "No site da Embratur, Fragoso de Medeiros é apresentado como um advogado de sucesso, com mais de 30 anos de experiência e passagem pela procuradoria do município de Araçoiaba, em Pernambuco. Amigo íntimo de Gilson Machado, ele ganha um salário de R$ 25,7 mil na agência. O texto não diz, contudo, que Medeiros também é um grande empresário. Seus negócios se concentram na praia de Maracaípe, bem próxima a Porto de Galinhas, um das mais badaladas do Nordeste brasileiro. Ele é conhecido pelo enorme volume de propriedades que possui na região.'Medeiros é dono de tudo por aqui', afirmou um morador que, temendo represálias, pediu para não se identificar."

"Para valorizar suas propriedades, o advogado estaria trabalhando nos bastidores da Embratur para viabilizar a construção de empreendimentos turísticos da construtora Teixeira Duarte, pertencente a empresários portugueses. Em 2006, o governo pernambucano chegou a vender ao grupo, em leilão, um terreno com aproximadamente 110 hectares para a construção de um resort de luxo, com investimentos avaliados em R$ 620 milhões, que permitiriam a construção de mais dois mil flats, aumentando a capacidade de Maracaípe para o recebimento de turistas. O empreendimento poderá ser edificado ao lado dos terrenos de Medeiros, que, portanto, deverão ser valorizados. Mas o projeto não havia saído do papel até aqui. E é aí que entra o lobby de Medeiros", afirma a ISTOÉ.

Em agosto de 2019, já na gestão Bolsonaro, aponta, ainda, a ISTOÉ, a Prefeitura de Ipojuca, sob influência de Medeiros, voltou a reivindicar a exploração comercial do imóvel. "Na ocasião, o secretário de Turismo de Ipojuca, Mário Pilar, foi a Brasília pedir auxílio à Embratur, comandada à época pelo sanfoneiro Gilson Machado, para a retomada dos projetos na área. Nessa reunião, Pilar disse que caso não fosse construído o resort, sob o argumento de que a região já tinha hospedagens suficientes para atender seus turistas (15 hotéis e 240 pousadas), o imóvel poderia ser utilizado para a construção de um grande parque aquático. Argumentou que o empreendimento poderia gerar empregos em uma área atingida pelas demissões do Porto de Suape, um dos maiores empregadores das imediações. Depois disso, Mário Pilar também virou funcionário da Embratur, trabalhando ao lado de Medeiros. Tornou-se coordenador de promoção internacional do turismo cultural, com vencimentos da ordem de R$ 18 mil."

Coincidência ou não, um irmão de Gilson Machado, Carlos Eduardo Machado Guimarães Filho, dono da Construtora Machado Guimarães, sediada no Recife, é secretário de Articulação  Política da Prefeitura de Ipojuca, comandada por Célia Salles, uma antiga aliada do ex-presidente Lula, mas que se bandeou para as hostes bolsonaristas.

Célia Salles, antiga aliada de Lula, em agenda com parlamentares bolsonaristas de Pernambuco e com Gilson Machado para captar R$ 2,5 milhões junto ao Ministério do Desenvolvimento Regional para iluminação pública de Ipojuca (Foto: Divulgação/Prefeitura de Ipojuca)

Cavalos para Michele

Istoé conta que o gerente jurídico da Embratur, Medeiros é dono de um império em Ipojuca, onde é proprietário de uma fazenda, onde também funciona o Haras Cascatinha. Medeiros é criador de cavalos da raça mangalarga marchador, cujos animais podem ser comercializados por até R$ 15 milhões cada um. Em agosto do ano passado, inclusive, ele doou dois desses animais à primeira-dama Michele Bolsonaro, que os destinou ao projeto Pátria Voluntária, administrado por ela para o atendimento de crianças carentes.

Busca e Apreensão de armas

A revista ainda diz que o funcionário da EMBRATUR é alvo de várias ações que tramitam na Justiça de Pernambuco. Em uma delas, diz a revista, "ele é réu em um processo em que é acusado de ter construído um muro sobre uma área de proteção ambiental. Além disso, a estrutura também comprometia o trânsito de cerca de 40 famílias de jangadeiros que ocupam a área. Anexado ao processo, Medeiros é citado em um boletim de ocorrência registrado por um desses jangadeiros. Para a polícia, o pescador disse ter sido ameaçado pelo funcionário da Embratur com uma arma. O MP pediu à Justiça o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, no que foi atendido. Na fazenda de Medeiros, aso autoridades encontraram uma espingarda calibre 38 e 50 munições. Não é à toa que o nome de Medeiros desperta apreensão entre os moradores do local. “O medo aqui é generalizado. É uma pessoa que tem uma história baseada em intimidação por meio de capangas armados e é ligado a políticos”, afirmou um comerciante de Maracaípe, que preferiu não se identificar. 

Cabide de empregos e R$ 90 milhões para aliados do irmão de Bolsonaro

Segundo a reportagem, "o fato de muitos funcionários da Embratur terem relações de parentesco com outros ministros do governo pode configurar prática de nepotismo cruzado, algo que é vedado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2008. Em nota, a agência nega a irregularidade nas contratações. Parlamentares da oposição ao governo estimam que a agência consome em torno de R$ 5 milhões anuais com salários de afilhados do presidente. Para este ano, a instituição recebeu um reforço no orçamento do governo e terá disponível cerca de R$ 64,1 milhões para gastar."

"Graças a esse grande volume de verbas, a família Bolsonaro manipula os recursos da Embratur para atender interesses paroquiais. O irmão do presidente, Renato Bolsonaro, por exemplo, age como um agente informal da agência de turismo no Vale do Ribeira, em São Paulo, onde ele e o mandatário cresceram. Foi através de sua influência no órgão que ele conseguiu destinar, no ano passado, às vésperas das eleições, mais de R$ 90 milhões a prefeituras da região. O dinheiro foi enviado a prefeitos amigos da família, escolhidos a dedo por Renato. Como se vê, a folia no setor de turismo do governo não se limita aos acordes desafinados de Machado."

 A matéria completa, assinada por Ricardo Chapola, pode ser acessada AQUI.

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