Pernambuco vira celeiro de criminosos cibernéticos, os famosos hackers

9 de jun. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito

Foto: Reprodução

 Pelo menos três Operações foram deflagradas contra hackers pernambucanos, de um ano para cá, por crimes cibernéticos de repercussão nacional. A Operação Chargeback, da Polícia Civil de Pernambuco, contra fraudes bancárias, a Operação Deepwater, da PF, por vazamento e venda de dados de pessoas físicas e jurídicas e a Operação Fleet, também da PF, contra invasão dos sistemas do STF. Ao Blog da Noelia Brito, o especialista em defesa cibernética e CEO da Citadel Brasil,
Augusto Schmoisman, afirmou que o ataque ao STF é apenas um caso entre os muitos ataques que ocorrem no país. E que, a partir do segundo semestre e ao longo de 2022, haverá um grande crescimento no monitoramento e extração de dados de smartphones, principalmente entre membros do poder judiciário, políticos e jovens.

 

 

Recife/PE - Notório produtor de tecnologia da informação, tendo no Porto Digital, uma espécie de ilha de excelência na produção de softwares e aplicativos, encravada bem no Recife Antigo, Pernambuco tem se notabilizado, porém, pela insistência com que vem recebendo operações policiais para prisão de hackers que, do estado, promovem ataques cibernéticos contra instituições como o STF, bancos e vazamentos de dados de milhões de pessoas, inclusive de autoridades, como ministros do Supremo e até do presidente Jair Bolsonaro.

Pelo menos três Operações foram deflagradas contra hackers pernambucanos, de um ano para cá, por crimes cibernéticos de repercussão nacional. A Operação Chargeback, da Polícia Civil de Pernambuco, prendeu uma organização criminosa situada no Recife e especializada em fraudes bancárias. A Operação Deepwater, da PF,prendeu um hacker que de Petrolina, no Sertão pernambucano, subtraiu, vazou e tentou vender dados de autoridades e de mais de 223 milhões de pessoas físicas. Por sua vez, deflagrada ontem, a Operação Fleet, também deflagrada pela PF, prendeu hackers pernambucanos das cidades de Olinda e Jaboatão, suspeitos da invasão ao site do STF, em maio. Há ainda um terceiro hacker, de Belém do São Francisco, ainda foragido.

Augusto Schmoisman, especialista em defesa cibernética e CEO da Citadel Brasil, tão logo veio a publico a notícia sobre a operação contra os hackers que invadiram o site do STF, afirmou ao Blog que este é apenas um caso entre os muitos ataques que ocorrem no país. E que, a partir do segundo semestre e ao longo de 2022, haverá um grande crescimento no monitoramento e extração de dados de smartphones, principalmente entre membros do poder judiciário, políticos e jovens.

"Estes constantes acontecimentos mostram a urgência de abordar o tema e a necessidade de as empresas serem instruídas quanto às mudanças na perspectiva de como agir diante dos cuidados e consequências de um vazamento de informações", disse, ainda, o especialista.

Schmoisman possui mais de 20 anos de experiência em segurança cibernética.

OPERAÇÃO CHARGEBACK

Como revelamos, em primeira mão, considerado um dos maiores especialista em golpes a instituições financeiras e clonagem de cartões bancários do País é um pernambucano, Hugo Lima, que foi preso pela Polícia Civil de Pernambuco e denunciado pelo MPPE como chefe de uma organização criminosa responsável pela aplicação de golpes com cartões clonados em valores milionários que, segundo fontes do Blog, superariam a casa dos R$ 100 milhões aplicados por meio do envio de e-mails. Hugo Lima e seus "associados" usufruíam de uma vida de alto luxo que incluía viagens ao exterior na primeira classe, aquisição de roupas e relógios de grifes, passeios de lancha, compras de camarotes no Carnaval de Salvador, além da compra de um apartamento por mais de um milhão de reais. Hugo Lima também seria dono de um prédio com vinte e um apartamentos e de oito táxis, além de uma locadora de veículos, através dos quais seriam "lavados" os recursos furtados de suas vítimas.

Durante as investigações da Operação Chargeback, a Polícia Civil constatou que os criminosos usavam e-mails falsos para atrair as vítimas. Ao clicar nos vírus através da armadilha, chamada de phishing, os clientes de bancos permitiam, sem saber, o acesso dos hackers às contas por meio de Aplicativos.

OPERAÇÃO DEEPWATER

Alvo da Operação Deepwater, da Polícia Federal, o hacker Yuri Batista Novaes era Gestor de Modernização Administrativa da Secretaria da Fazenda e Planejamento de Petrolina, cidade que tem como prefeito um dos filhos do líder do governo Bolsonaro, no Senado, Fernando Bezerra Coelho. Miguel Coelho tem sido cotado para disputar o Governo de Pernambuco pela oposição.

O hacker, detido em Petrolina, foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspeito de ter obtido os dados de 223 milhões de brasileiros, vazando-os na internet e de colocar à venda, juntamente com um cúmplice de Minas Gerais, dados de autoridades que incluem o presidente Jair Bolsonaro, o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o ex- presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, dentre outros.

Segundo a Polícia Federal, as investigações apuraram que em janeiro de 2021, por meio da internet, dados sigilosos de 223 milhões de pessoas físicas e de 40 milhões de pessoas jurídicas - tais como CPF/CNPJ, nome completo e endereço, além de registros de veículos, foram ilicitamente disponibilizados em um fórum na internet especializado em trocas de informações sobre atividades cibernéticas. A divulgação de parte dos dados sigilosos foi feita gratuitamente por um usuário do referido fórum que, ao mesmo tempo, expôs à venda o restante das informações sigilosas que poderiam ser adquiridas por meio do pagamento em criptomoedas. Após diversas diligências, a Polícia Federal identificou Yuri Novaes como suspeito pela prática dos delitos de obtenção, divulgação e comercialização dos dados. Contactada pelo Blog, à época, a Prefeitura de Petrolina informou que Yuri Batista Novaes Goiana Ferraz seria exonerado. 

OPERAÇÃO LEET

Durante todo o dia de ontem, 9, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão, também expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, contra três hackers pernambucanos que estariam à frente dos ataques cibernéticos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) ocorrido há um mês. A suspeita é de que o ataque ao STF teria relação com processos envolvendo pessoas com foro privilegiado. Em nota, à época dos fatos, o STF afirmou que "segundo as informações já depuradas, o acesso não teve intuito de ‘sequestro’ de ambiente, mas apenas de obtenção de dados”.

Os nomes dos suspeitos ainda não foram divulgados, mas se sabe que dos dois hackers presos, um residia em Olinda e o outro em Jaboatão dos Guararapes, municípios situados na Região Metropolitana do Recife. Um terceiro, residente em Belém do São Francisco, cidade distante 232 km de Petrolina, cidade de origem do hacker preso por vazar dados dos ministros do STF e de mais de 223 milhões de pessoas físicas e de 40 milhões de pessoas jurídicas, segue foragido.

Os agentes da PF cumpriram, ainda, cinco mandados de buscas e apreensões em Goiás e em São Paulo.

Em maio, a partir de um pedido da PF, o Supremo abriu inquérito para investigar a tentativa de invasão aos sistemas do STF. O ataque hacker derrubou todos os acessos ao site da Corte, incluindo informações internas. 


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