Folha resgata delação de agiota pernambucano envolvendo Arthur Lira e FBC, mantida sob sigilo há 4 anos

3 de ago. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito

 

Foto: Reprodução 

Delação mantida sob sigilo desde 2017, feita por um dos responsáveis pela aquisição do avião que caiu matando o ex-presidenciável Eduardo Campos, comprometeria o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), diz a Folha de São Paulo

A Folha de São Paulo resgatou a delação de Eduardo Freire, conhecido como Ventola e que, segundo a publicação, antes de a polícia bater em sua porta, dirigia uma rede de empresas que, segundo as investigações, eram voltadas para a agiotagem e também para lavagem de dinheiro de empreiteiras.

"Ventola", que assumiu ser amigo de Arthur Lira, chegou a ficar três meses preso após operação a Operação Turbulência, da PF, em 2016 e firmou posteriormente um acordo de colaboração, segundo a Folha, em matéria assinada por Felipe Baechtold. 

Os termos do acordo de delação e a íntegra dos depoimentos, porém, passados quatro anos, ainda são sigilosos. O acordo faz parte da safra de delações do período do então procurador-geral Rodrigo Janot e foi negociado em conjunto com outros integrantes de seu grupo, como o sócio João Carlos Lyra, pivô da negociação do avião usado por Campos.

A Folha lembra que João Carlos e Eduardo Freire atuavam principalmente por meio de uma empresa pernambucana chamada Câmara & Vasconcelos, que oficialmente prestava serviços de terraplanagem e aluguel de máquinas em obras, mas que na prática servia sobretudo de entreposto para movimentações financeiras de empreiteiras.

Só da construtora OAS, essa firma e uma outra coligada receberam R$ 58 milhões de 2012 a 2016. Ex-executivos da empreiteira, também em delação, confirmaram em depoimentos que a companhia de terraplenagem era usada para movimentações ilegais de caixa dois e propina.

João Carlos Lyra, segundo a Folha, disse que a atuação junto ao governo de Campos em Pernambuco (2007-2014) o levou a arrendar uma aeronave para servir à campanha do então presidenciável em 2014 e que posteriormente o PSB, partido do então candidato, iria reembolsar as despesas.

Para concretizar a compra da aeronave Cessna Citation junto aos antigos donos, Eduardo Freire foi artífice. Até uma empresa que no papel trabalhava com pescados, mas que de fato era de fachada, foi usada para transferir dinheiro para os vendedores, do interior de São Paulo.

Uma de suas firmas, a Ele Leite, pagou R$ 728 mil no negócio.

A Folha lembra que a tragédia com o então presidenciável, em agosto de 2014, trouxe à tona os nomes dos dois ao noticiário político. João Carlos ainda hoje é alvo de dezenas de processos de indenização devido aos danos provocados pelo acidente aéreo, ocorrido em Santos (SP).

Coincidentemente, quase na mesma época da tragédia com o presidenciável, o nome de Eduardo Freire começava a ser mencionado também em depoimentos da Lava Jato no Paraná.

Ainda segundo a Folha, o doleiro Alberto Youssef, pivô da operação, relatou em seu acordo de colaboração que fez um pagamento dentro do esquema da Petrobras para "um agiota" de Pernambuco como forma de beneficiar Arthur e Benedito Lira, seu pai, ambos congressistas pelo PP de Alagoas.

A quebra do sigilo mostrou que empresas de fachada de Youssef haviam repassado R$ 200 mil à Câmara & Vasconcelos entre 2010 e 2011. Segundo o doleiro disse em delação, era um pedido de Lira filho para quitar despesas de campanha.

O relato evoluiu para uma investigação autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Em depoimentos, Eduardo Freire e o deputado, hoje presidente da Câmara, disseram ser amigos.

Em 2015 —portanto antes da prisão—, os dois contaram em depoimentos à PF que o pagamento mencionado por Youssef se tratava somente de um empréstimo. O hoje delator afirmou que pediu que Lira devolvesse os recursos na conta da Câmara & Vasconcelos porque tinha negócios com a direção dessa firma.

O deputado afirmou no depoimento que, pelo que sabia, o amigo trabalhava com "cerâmicas" —o nome de uma das empresas do delator é Camboa Cerâmica.

A triangulação do repasse mencionado por Youssef acabou incluída em denúncia contra Lira apresentada ao STF pela PGR (Procuradoria-Geral da República), na qual o principal foco era o elo do congressista com a empreiteira UTC, integrante do esquema em funcionamento na Petrobras. Eduardo Freire foi mencionado na peça, mas não como acusado formalmente.

A denúncia, porém, foi rejeitada em 2017 pelos ministros do STF Gilmar Mendes e Dias Toffoli sob argumento de insuficência de provas.

A relação com o congressista alagoano era antiga. Em declaração de bens à Justiça Eleitoral em 2014, o deputado dizia ter R$ 300 mil em "crédito com Eduardo Freite B Leie" (sic) referente à devolução de uma fazenda.

No depoimento de 2015, Eduardo Freire afirmou que recebia de Lira cerca de R$ 60 mil por ano por arrendamento de uma propriedade rural.

A matéria completa, para assinantes, pode ser lida AQUI .




Nenhum comentário

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

© Todos os direitos reservados - 2021