Mãe da menina Beatriz denuncia agressão ao tentar falar com governador Paulo Câmara em Petrolina

12 de ago. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito

Pais de Beatriz Angélica cobram resposta do Governo de Pernambuco sobre cooperação com empresa americana de investigação — Foto: Reprodução / TV Grande Rio

Beatriz Angélica Mota, de sete anos, era moradora de Juazeiro, norte da BA, e foi assassinada com 42 golpes de faca dentro de uma escola particular em Petrolina (PE) durante uma festa de Natal. A Polícia Civil de Pernambuco, passados cinco anos do crime bárbaro contra a criança, até hoje não apontou sequer quem seria o assassino ou mandante do crime. Empresa americana ofereceu ajuda para elucidar o caso.

A família da menina Beatriz Angélica Mota, assassinada em dezembro de 2015, em uma escola particular de Petrolina, no sertão de Pernambuco, ainda aguarda um desfecho nas investigações.
A mãe da garota, Lúcia Mota, além de ter que arcar com a dor da perda e do descaso do governo e da Polícia de Pernambuco, que até hoje não desvendou o caso que chocou a sociedade pernambucana, ainda denuncia que teria sido agredida por seguranças ao tentar falar com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, do PSB, durante uma agenda do gestor na cidade de Petrolina, no sertão do Estado, onde a criança foi brutalmente assassinada.

A mãe de Beatriz divulgou vídeos em que relata as agressões e onde acusa o governo de Pernambuco de fascista, apesar de posar de "esquerda".

Em junho, a TV São Francisco, da Bahia, divulgou reportagem em que revela que a empresa americana Criminal Investigations Training Group (CIT Group) ofereceu ajuda à família desde o ano passado. A empresa também orientou uma espécie de "investigação paralela" em busca de informações sobre o crime. Imagem do suposto assassino, confeccionada a partir de imagens resgatadas de câmeras de segurança foi divulgada pela empresa americana.

Lúcia disse à reportagem da TV baiana que a empresa tem interesse em ajudar a polícia nas investigações, doar equipamentos e fazer treinamentos gratuitos, mas a burocracia brasileira, segundo ela, impede os americanos de integrarem a apuração do homicídio mais de perto.

“Infelizmente nossa legislação é muito atrasada. Há mais de um mês venho tentando contato com a Polícia Civil [de Pernambuco] para que a gente possa divulgar formalmente. Mas, até o momento, eles não responderam. Por isso, resolvemos divulgar essa imagem por conta própria. Eu divulguei e estou assumindo toda a responsabilidade. Já são quase seis anos e não podemos perder mais tempo. Precisamos identificar esse assassino covarde e cruel." Em setembro do ano passado, o Consulado Americano notificou o governo do estado sobre a solicitação para que aceite o auxílio dos peritos americanos, mas até agora o governador Paulo Câmara não deu retorno.

Foto: Divulgação
 

Em abril, a mãe de Beatriz disse à Rádio Jornal que o governador Paulo Câmara não está interessado na solução do crime: “A quem interessa a não solução do caso Beatriz? Quando o senhor se comporta desta forma, o senhor está afirmando que não quer a resolução do caso Beatriz, mas a sociedade quer e exige que os culpados paguem por esse crime bárbaro e cruel. Não vamos parar, não vamos nos calar. Chega de notas [informando] que não tem ciência dessa notificação do Consulado Americano”, disse na época. 

A família também pediu para que a Polícia Federal intervenha no caso e assuma as investigações. Os trâmites, no entanto, seguem em discussão.

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"Precisamos saber o nome dele, onde ele já morou. Precisamos chegar às pessoas que já tiveram contato com esse homem. Beatriz merece um inquérito justo. Merece um processo justo", destacou.

Relembre o caso

Era para ser uma noite de festa na quadra do colégio Maria Auxiliadora, uma das instituições de ensino privado mais tradicionais de Petrolina. A irmã mais velha de Beatriz se formava no ensino médio. A menina também estudava na mesma escola. Sandro, o pai, era professor de inglês da unidade de ensino.

Apesar de estudar em Petrolina, a menina morava com a família em Juazeiro, norte da Bahia.



Menina Beatriz foi morta a facadas dentro de escola em PE — Foto: Reprodução/TV Bahia

Naquela mesma cerimônia, horas antes de Beatriz desaparecer, a mãe pediu a palavra para fazer uma homenagem à filha mais velha.

Beatriz Angélica foi encontrada sem vida às 22h50, quarenta e dois minutos depois de desaparecer. O corpo da menina estava em um antigo depósito desativado, usado para guardar material esportivo, bem próximo da quadra onde acontecia a festa de formatura.

Não havia marcas de violência sexual nem de asfixia.

Os dias seguintes foram de tristeza, manifestação e pedidos por Justiça. Alguns deles na ponte Presidente Dutra, que liga Juazeiro a Petrolina. O caso ganhou repercussão nacional.

Na data que completou dois anos do caso, foi tema de uma reportagem do Fantástico. Na época, cinco delegados já tinham passado pelo caso.

A tese da polícia era que o suspeito não tinha agido sozinho e que funcionários da escola teriam participado do crime. Segundo a polícia, a suspeita contra os funcionários surgiu depois que ficou comprovado que eles mentiram nos depoimentos.

Após essa declaração, o advogado da escola informou que todos esses funcionários já tinham sido demitidos. 

Com a palavra, o governador Paulo Câmara e a Polícia Civil de Pernambuco.

Confiram os vídeos com as denúncias:



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