Pés de Barro: Pernambucanos ligados ao Centrão são alvos da PF em Operação contra desvios que teriam causado pelo menos 14 mortes

21 de set. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito
Ricardo Barros, cujos auxiliares foram alvo da PF, na manhã de hoje, 21, foi líder do Governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), vice-líder de Lula (PT) e de Dilma Rousseff (PT), ministro da Saúde de Michel Temer (MDB) e atualmente é líder do Governo Jair Bolsonaro (sem partido).



Os pernambucanos Tiago Queiroz, ligado ao Republicanos e Davidson Tolentino, ligado ao PP, Partidos que apoiam Bolsonaro e Paulo Câmara, foram alvos da Operação Pés de Barro, da PF, que apura fraudes na compra de medicamentos de alta complexidade, durante a gestão de Ricardo Barros, no Ministério da Saúde. 

Dois pernambucanos ligados a Partidos do Centrão, que dão sustentação ao governo Bolsonaro, foram alvos de mandados de buscas e apreensões, na manhã de hoje, 21, por determinação da Justiça Federal do Distrito Federal, no âmbito da Operação Pés de Barro, que investiga fraudes na gestão do líder do governo Bolsonaro, Ricardo Barros, quando ministro da Saúde no governo Temer.

Os mandados estão sendo cumpridos por 61 policiais federais nos estados de Alagoas (Maceió), Minas Gerais (Belo Horizonte e Montes Claros), Pernambuco (Recife), São Paulo (São Paulo) e no Distrito Federal (Brasília).

Os fatos investigados ocorreram entre os anos de 2016 e 2018 e envolveram a aquisição dos medicamentos de alto custo Aldurazyme, Fabrazyme, Myozyme, Elaprase e Soliris/Eculizumabe pela Diretoria de Logística em Saúde do Ministério da Saúde. Foram encontrados indícios de inobservância da legislação administrativa, licitatória e sanitária, além do descumprimento de reiteradas decisões judiciais, com o aparente intento de favorecer determinadas empresas.

A má condução dos processos de aquisição desses medicamentos causou o desabastecimento por vários meses de seus estoques do Ministério da Saúde, em prejuízo de centenas de pacientes beneficiários de ordens judiciais, o que contribuiu para o agravamento de sua saúde, podendo ter levado ao óbito ao menos 14 pacientes. Estima-se que o prejuízo causado pelo pagamento antecipado de medicamentos sem o posterior fornecimento ultrapasse R$ 20 milhões.

Alvo da operação, o advogado pernambucano Tiago Pontes Queiroz é ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde e atualmente é secretário Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano, do Ministério do Desenvolvimento Regional, secretária também investigada por suspeita de sobrepreço de R$ 130 milhões, na compra de equipamentos agrícolas no chamado "tratoraço", revelado pelo Estadão. A indicação de Queiroz é atribuída ao Republicanos que apoia Bolsonaro nacionalmente e Paulo Câmara em Pernambuco.

Outro alvo pernambucano é o administrador Davidson Tolentino, que foi diretor de Logística na Saúde antes de Tiago Pontes Queiroz. Tolentino acaba de deixar um cargo de diretoria na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Ele era diretor da Área de Revitalização das Bacias Hidrográficas da Codevasf até 1º de setembro. A indicação de Tolentino é atribuída ao PP, que a exemplo do Republicanos, dá sustentação a Bolsonaro nacionalmente e a Paulo Câmara a nível local.

Além dos pernambucanos, a PF ainda cumpre mandados em endereços ligados a Wellington Ferreira Gonçalves e William Ferreira Gonçalves, sócios da Global, que é presidida por Francisco Maximiano, que, juntamente com Ricardo Barros é réu em ação de improbidade administrativa que tramita na Justiça do Distrito Federal.


Segundo as investigações, por ordem do então ministro, a pasta liberou o pagamento pelos remédios sem que a empresa tivesse apresentado documentos suficientes à Anvisa para a importação.

Maximiano também é sócio da Precisa Medicamentos, empresa que está no foco da CPI da Covid por suspeitas de fraudes na oferta ao Ministério da Saúde da vacina indiana Covaxinl. A polícia também fez buscas em endereços ligados à BSF Gestão e à Precisa Medicamentos.

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