Advogado apadrinhado pelo Centrão perde cargo em Ministério após ser alvo da PF

8 de out. de 2021

/ by Blog da Noelia Brito
Tiago Pontes, marca presença na cerimônia de posse do senador Ciro Nogueira (PP), líder do Centrão como Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência / Foto: Divulgação 

Tiago Pontes Queiroz, do Ministério do Desenvolvimento Regional, foi alvo de operação da PF referente a suspeitas de fraudes na aquisição de medicamentos quando exerceu cargo no Ministério da Saúde, aponta a Folha de São Paulo 

Em resposta a pedido de manifestação feito pela Folha de SãoPaulo, o Ministério do Desenvolvimento Regional do governo Jair Bolsonaro anunciou que o advogado Tiago Pontes Queiroz deixou o cargo de secretário Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano para se defender em inquérito da Polícia Federal e ação de improbidade do Ministério Público.

Queiroz é alvo de investigações e acusações quando esteve à frente da diretoria de Logística do Ministério da Saúde, em 2018, pelo suposto favorecimento a uma das empresas sob foco na CPI da Covid, a Global Gestão em Saúde.

Nesta quinta-feira (7), a reportagem da Folha informou ao Ministério do Desenvolvimento Regional que os sigilos bancário e fiscal de Queiroz haviam sido quebrados pela Polícia Federal e um dos endereços dele no Recife havia sido alvo de medida de busca e apreensão no dia 21 de setembro, no âmbito da Operação Pés de Barro da Polícia Federal.

A Folha também pediu um posicionamento do ministro Rogério Marinho sobre a manutenção de Queiroz no posto mesmo com as suspeitas levantadas pela PF e pela Procuradoria.

Em nota enviada ao jornal na tarde desta sexta-feira (8), o ministério informou a saída de Queiroz, ressaltando que as investigações recaem sobre período anterior à posse dele na pasta.



Segundo a Folha de São Paulo, o advogado se tornou o símbolo do “toma lá, da cá” entre o governo Bolsonaro e o centrão e conseguia manter um cargo de alto escalão mesmo após passar a ser suspeito de corrupção e fraude em contratos do Ministério da Saúde.

O advogado foi colocado no ministério quando Bolsonaro começou a distribuir cargos ao centrão em 2020 em uma ofensiva para isolar o então presidente da Câmara Rodrigo Maia. Nesses cargos, os indicados tinham acesso à estrutura e a recursos do governo federal, afirma o jornal.

Antes, transitou em diversos cargos no governo federal. Foi Gerente Regional I de Administração e Finanças da CBTU Recife em 2015 e 2016, durante o governo da petista Dilma Rousseff.

No governo Michel Temer (MDB), Tiago Queiroz passou a trabalhar no Ministério da Saúde, a época sob o comando de Ricardo Barros (PP-PR), hoje líder do governo Bolsonaro na Câmara.

Sob Bolsonaro, ele havia sido nomeado em março como chefe da STU (Superintendência de Transportes Urbanos) do Recife, órgão que faz parte da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos). Dois meses depois, foi alçado ao posto de Secretário de Mobilidade e Desenvolvimento Regional.

Nesse caso, sua indicação foi atribuída não só ao PP de Barros, mas também ao Republicanos.

Procurado pela Folha, Queiroz afirmou: "estou pronto para esclarecer em juízo que não cometi qualquer ato ilícito por tratar-se de compras e pagamentos de medicamentos para processos judiciais através de aquisições no período de 2016 e 2017, que eu sequer estava nomeado no cargo competente para tal (fui nomeado em 2018). É preciso que todos os fatos sejam analisados à luz da legalidade e em lugar oportuno".

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