Governo de Pernambuco manteve o agora ex-Secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, em cargos, por quase dez anos, mesmo ciente de pelo menos uma dezena de boletins de ocorrência por violência contra a mulher lavrados contra o gestor

Pedro Eurico, então secretario de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco ao lado de Nickson Monteiro, diretor do Presídio de Itaquitinga. Foto: Chixo Peixoto/LeiaJáImagens
 

Chama atenção o fato de que Pedro Eurico só tenha se afastado do cargo - e ainda a pedido -, onde tem como função a promoção da justiça, a defesa dos direitos humanos e a administração dos presídios, após a Rede Globo veicular as denúncias. A reportagem mostrou que nada menos que dez boletins de ocorrências já haviam transitado pelas diversas delegacias de Pernambuco relatando o comportamento violento do secretário, o que incluía ameaças de morte com arma em punho contra a ex-companheira.

O agora ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico, deixou o cargo na noite de ontem, após a Rede Globo levar ao ar denúncias gravíssimas contra o advogado, feitas por sua ex-esposa, a economista Maria Eduarda Marques de Carvalho, com quem Eurico manteve um relacionamento por 25 anos.

Segundo o relato da economista, foram 25 anos de terror, em que foi vítima de espancamento, agressões, ameaças de morte e tortura psicológica contra os quais foram lavrados pelo menos 10 boletins de ocorrência em diversas delegacias da Capital e da Região Metropolitana, o último deles agora em novembro.

Tido, até então, como uma espécie de intocável, apesar de outras denúncias graves relacionadas com as funções que exerce na vida pública desde 1984, Pedro Eurico não resistiu à contundência das denúncias de sua ex-companheira.

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Vereador do Recife em 1984 e deputado estadual entre 1986 e 2006, sendo presidente da Assembleia Legislativa no biênio 1995-1996, no segundo governo Miguel Arraes (1987 a 1990), comandou a Secretaria de Habitação, assumindo a Secretaria Estadual da Criança e da Juventude em 2012 para, em 2015, assumir o comando da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, até pedir afastamento nesta terça. Além disso, Pedro Eurico é presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Administração Penitenciária. 

À Rede Globo, Maria Eduarda contou que Pedro Eurico vinha fazendo mais ameaças nos últimos tempos, com insinuações sobre o que poderia fazer com ela, o que incluía matá-la.“[Ele] me acordava de madrugada dizendo que eu saísse de casa naquela hora porque ele tinha acabado de sonhar que me matava. Outro dia, ele dizia que ia acontecer um acidente, ia aparecer um acidente e ninguém ia desconfiar que era ele que tinha mandado fazer alguma coisa”, afirmou.

A vítima contou ainda que mantinha o relacionamento, apesar da série de agressões, atendendo a pedidos de amigos e do próprio Eurico, que, assim como é costume de agressores de mulheres, sempre prometia mudar.

Em novembro deste ano, segundo Maria Eduarda, foi morar com a mãe, que já havia presenciado agressões. “Uma vez, eu estava com a minha mãe levando ela para o trabalho e dois motoboys quebraram meu carro todo. Depois, um desses dois parou na portaria do meu prédio para conversar com o porteiro e me viu chegando com o carro quebrado”, contou à Rede Globo.

A economista relatou, ainda, que o rapaz confessou que tinha quebrado o automóvel dela e que não sabia que pertencia a ela, por conta do vidro escuro. “Disse que tinha sido Pedro Eurico [quem mandou]”, afirmou.

Eduarda contou à reportagem que já dormiam em quartos separados. "Nos dias em que ele estava mais perturbado, desequilibrado, eu ia para esse quarto e me trancava. Ligava para o motorista, o segurança e dizia: 'olhem, vocês fiquem alerta'. Várias vezes o motorista recebeu ligação minha: 'venha para cá agora porque Pedro está surtando'”, relatou.

Chama atenção o fato de que Pedro Eurico só tenha se afastado do cargo - e ainda a pedido -, onde tem como função a promoção da justiça, a defesa dos direitos humanos e a administração dos presídios, após a Rede Globo veicular as denúncias. A reportagem mostrou que nada menos que dez boletins de ocorrências já haviam transitado pelas diversas delegacias de Pernambuco relatando o comportamento violento do secretário, o que incluía ameaças de morte com arma em punho contra a ex-companheira.

O Tribunal de Justiça expediu recentemente uma medida protetiva de Maria Eduarda contra Pedro Eurico.

Por meio de nota, o ex-secretário negou todas as acusações.



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