Criança é executada por pistoleiros em conflito agrário na Zona da Mata Sul de Pernambuco

12 de fev. de 2022

/ by Blog da Noelia Brito
Foto: Reprodução 

O menino, de 9 anos, que era filho de Geovane da Silva Santos, presidente da  Associação dos Agricultores Familiares do Engenho Roncadorzinho, em Barreiros, foi executado quando se escondia debaixo da cama. 

Segundo informações de agricultores da localidade, a casa do presidente da Associação, já foi alvo de outros atentados. A família e a comunidade estão aterrorizadas e em estado de choque.

Do Diário de Pernambuco

Uma criança de nove anos foi assassinada a tiros no Engenho Roncadorzinho, município de Barreiros, na Zona da Mata Sul de Pernambuco. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), organização social que fez denúncias sobre o caso, o crime teria acontecido por volta das 21h de ontem (10), quando sete homens encapuzados e armados invadiram a casa do presidente Associação dos Agricultores Familiares do local e atiraram no trabalhador rural, que sobreviveu. Em seguida, os homens teriam atirado no filho do agricultor, que se escondia debaixo da cama com a mãe. A criança não resistiu aos disparos e morreu. De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), o caso segue em investigação até a completa elucidação do ocorrido.

Segundo informações de agricultores da localidade, a casa do presidente da Associação, Geovane da Silva Santos, que é o pai do menino, já foi alvo de outros atentados. A família e a comunidade estão aterrorizadas e em estado de choque.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (FETAPE) denunciam que nos últimos anos, a comunidade vem sofrendo ameaças.

“Violências promovidas por empresas que exploram economicamente a área, com intimidações, destruição de lavouras e com contaminação das fontes de água e cacimbas do imóvel por meio da aplicação direcionada e criminosa de agrotóxico de alta toxidade. Os casos de violência contra a comunidade vêm sendo denunciados pela FETAPE e pela CPT há vários meses, sem que medidas efetivas sejam tomadas por parte do Estado para solucionar a tensão e a violência no local”.

Investigações

A Comissão Pastoral e a Federação dos Trabalhadores Rurais estão acompanhando o caso e prestando solidariedade à família e à comunidade. “As organizações sociais cobram com veemência que investigações sejam imediatamente realizadas para apurar a sua eventual relação com o conflito agrário instaurado no local, sendo certo que, independente da motivação, é inadmissível e repugnante a invasão da casa de uma família e o execução cruel de uma criança”, disseram as organizações em nota.

A Polícia Civil de Pernambuco, por meio da Delegacia Seccional de Palmares, registrou o caso como uma tentativa de homicídio e um homicídio de uma criança. “De acordo com informações iniciais, homens encapuzados entraram na residência e dispararam contra as vítimas. O pai e o filho foram socorridos no Hospital de Barreiros, mas a criança não resistiu aos ferimentos. Caso segue em investigação até a completa elucidação do ocorrido”, diz a nota da polícia.

A ocupação do Engenho

No Engenho Roncadorzinho, a ocupação das famílias na condição de agricultoras familiares se deu após falência das usinas onde trabalhavam ou eram credoras, mas nunca receberam as devidas indenizações, segundo os agricultores. A comunidade existe há 40 anos e abriga cerca de 400 trabalhadores rurais posseiros, sendo 150 crianças.

O Engenho foi propriedade da Usina Central Barreiros, atualmente uma "massa falida" sob administração do Poder Judiciário, que o arrendou. A "massa falida" é o acervo de bens e direitos do falido, compreendendo, assim, o ativo (bens e créditos) e o passivo (débito) do falido, dessa forma ele pode ser administrado e representado pelo administrador judicial.

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