Opinião: "Será o fim de um ciclo do PSB no governo de Pernambuco?', por Luciano Freitas

 

Marília Arraes, que lidera com folga a disputa pelo governo de Pernambuco com o primo e ex-governador Eduardo Campos, com quem rompeu politicamente pouco antes da morte do político em acidente aéreo. (FOTO: Reprodução/Redes Sociais 

* Por Luciano Freitas

Pesquisas eleitorais diversas têm apontado um desgaste do PSB/PE frente ao eleitor pernambucano. 

Embora reconheça-se um cansaço e discursos em clamor por mudança, além da alta rejeição ao governador Paulo Câmara- recente pesquisa aponta 52% de avaliação " péssima" para sua gestão- por outro lado sustento o argumento de que existem outros fatores em jogo para o baixo desempenho percentual do candidato governista, Danilo Cabral.

Existem análises que o voto pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, afeta na credibilidade de Danilo para ter voto de simpatizantes do PT e de discurso progressista em geral. Mas os cenários diversos mostram que essa questão não tem pesado em diversas candidaturas do PT e suasalianças programáticas. 

O PSB estava acostumado a "puxar o tapete" de candidaturas possíveis, tirar legenda ou palanques de chapa alheia, por meio de negociações políticas . Bradavam poder por aglutinar direita e esquerda numa frente de diversos partidos coligados.  Articularam, no passado, o veto à candidatura de Marília Arraes pelo PT, com apoio do senador petista Humberto Costa e do PCdoB ( ressalta-se que essa "rasteira" na Arraes ricocheteou em Ciro Gomes, na eleição nacional) , bem como esvaziaram uma possível candidatura de Fernando Bezerra Coelho/MDB, com o suporte de Jarbas Vasconcelos e Raul Henry. Agora, não! Marília Arraes "peitou" candidatura própria; Fernando Bezerra emplacou o filho no União Brasil e o PSDB não se aliou ao PSB/PE, dessa vez. 

A chapa 40 estava acostumada a agregar votos de direita, fomentando o discurso anti-petista, mesmo tendo petistas como aliados em sua "Frente Popular" - vide a campanha de cunho anti-petista de João Campos no 2o turno das eleições para prefeitura do Recife, em 2020. 

Há de se considerar, também,  a performance de Marília Arraes na sua atual campanha. Ela tem "rodado" o estado, em jogo pra ganhar. Fez alianças potentes com antigos aliados do PSB - atualmente desafetos. Existe uma narrativa defendida por diversos eleitores, desde 2018, de que ela é o nome da mudança.

Considere-se, igualmente, a boa avaliação de Raquel Lyra/PSDB no Agreste, bem como a adesão do nome de Priscila Krause e demais aliados na chapa do 45 em Pernambuco.

Além da força do voto evangélico e de bolsonaristas em apoio ao candidato Anderson Ferreira/PL. 

O PSB/PE tem "apostado suas fichas" no apoio do candidato à presidência, Lula/13 à candidatura de Danilo Cabral. Entretanto, até dado momento, os mais de 60% de votos declarados por pernambucanos ao ex presidente, não refletem nos números para o "socialista". Aliás, pondere-se o fato de haver petistas declarando voto à candidata Marília Arraes, cujo partido, o Solidariedade, também faz parte da base aliada do Lula.

Será o fim do ciclo "socialista" no comando do Palácio do Campo das Princesas, a partir de 1o de janeiro de 2023? Ou teremos uma reação, na busca pela vaga de um possível 2o turno? 

Acompanhemos os próximos capítulos...

* Luciano Freitas Filho é Doutor em Educação pela UFRJ e Professor do Instituto Federal da Bahia/IFBA

** As opiniões do articulista não expressão necessariamente as opiniões do Blog.

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